Depois não sabe porque leva tiro – 685

685 – “No início, assim que curti a página, achei reconfortante saber que não estou sozinha, que muitas mulheres também se incomodam com os assédios diários. Agora, passado algum tempo, fico angustiada sempre que vejo uma nova publicação, pois sei que é “mais um caso” e eles nunca terminam! Fica a sensação de total impotência, de revolta pela situação não melhorar e só sinto meu ódio aumentar pela existência de tantos babacas! Sério, tô cansada dessa merda de mundo que só sabe pensar na aparência e na sexualidade das pessoas. Na mídia é isso, nas músicas é isso, nas relações sociais é isso. Há utilidade em pessoas que reproduzem tanta futilidade? Cansada, cansada. Vou contar alguns casos em ordem cronológica:  1. Fui a um concurso de modelos de uma prima minha. As modelos desfilavam com uma blusa preta padrão e calça leggin até a canela (não sei como chama). Havia cadeiras para os convidados se sentarem até relativamente perto da pista e, quando as meninas começaram a desfilar, o que vi foi uma verdadeira bestialidade. Cerca de 10 homens, com idades variando entre talvez 14 e 25 anos e que se conheciam, se aglomeraram perto da pista para ter uma visão “privilegiada” das candidatas. Quando era alguma de corpo bonito, eles não conseguiam literalmente fechar a boca e acompanhavam com aquele olhar nojento que todas nós já conhecemos, e também gritavam, pulavam, como se fossem animais no cio. Se eu tivesse uma filha a desfilar ali, ficaria extremamente constrangida com a forma agressiva e desnecessária de assédio que esses babacas estavam fazendo. NOJO!  2. Saí de casa e estava andando até o ponto de ônibus às 6:30 da manhã mais ou menos. Moro em um bairro periférico, que não é totalmente favela mas que não me traz segurança alguma. Por isso, sempre ando observando os possíveis assediadores que estão na minha frente, a certa distância. Avistei o que parecia ser um senhor de idade e não me preocupei muito. Ledo engano. Ele iria atravessar a rua e, ao olhar pra tras, me viu. Como de costume, virei a cara. Ao voltar, percebi que ele continuava me encarando. Fiz cara de desprezo e novamente virei a cara. Voltei e ele continuava me encarando, já do outro lado da rua. Fechei ainda mais a cara e comecei a andar rápido, chegando num ponto em que estava “ao lado dele”. O dito senhor então começou a me chamar fazendo “psiu, psiu”. Por algum tempo relutei em olhar, MAS NÃO SEI PQ DIABOS eu tive que olhar e ele me mandou três beijinhos, provavelmente me provocando pq eu estava com a cara fechada. O ódio que eu senti não é descritível, não é mensurável pq é uma coisa tão boba que eu, como mulher, tenho que ser obrigada a passar por causa de um merda. Quando olhei, tambem pude ver melhor a cara do maldito e acredito que seja um cara drogado, bebado, traficante, sei la, que as vezes aparece na minha rua e já me ameaçou dizendo “Fica andando rápido com cara fechada e depois não sabe pq leva tiro”. ODIOOOOO! O que eu poderia fazer nessa situação?? Absolutamente nada, pq ele sabe onde moro e é a porra de um traficante. Tive que ir embora xingando apenas pra mim, me controlando pra não chorar e me arrependendo profundamente de ter olhado pra cara desse bandido. Quando chegava próximo ao ponto, vi uma viatura da polícia subindo e pensei em relatar o ocorrido. Mas depois pensei: O que vou falar? Que um cara me mandou beijo? Ele não encostou em mim, mas me senti extremamente ameaçada, será que isso conta? Por fim desisti, pq não ia dar em nada e ainda ia ficar marcada.  3. Hoje andava numa rua de um bairro tranquilo e tive que ouvir “Humm, linda” e outras coisas que não me lembro de um cara que estava dentro de um carro parado. Depois do ocorrido no caso anterior, fiquei com medo de xingar esses retardados, então me contentei em soltar um palavrões que só quem estaria perto de mim ouviria.  4. Hoje, AINDA, estava parada em um ponto de ônibus e de repente veio um desgraçado chegando perto de mim por trás, muito perto do meu pescoço, quase me cheirando mesmo. No susto, a única reação que tive foi pular pro lado, xingando e quando olhei pro cara ele tava me encarando com cara de doido. Fiquei com muito medo e, pra minha segurança, tive que deixar pra lá.  Não consigo deixar de pensar que essas merdas só estão piorando. Não quero justificar nada, mas sou uma mulher super normal, uso roupas discretas justamente pra evitar essas situações e não entendo pq continuam acontecendo. Dá uma vontade imensa de chorar só de pensar que não dá pra sair na rua sem se sentir sexualizada por esses olhares nojentos. E sinto ódio, muito ódio por esses caras.  Peço aqui uma informação. Algum de vcs saberia me dizer se relatar tais assédios pra polícia surte algum efeito? Ou se irei fazer papel de boba? Há alguma lei que fale sobre isso ou próximo disso? Ah, se ajudar, moro em BH. Agradeço as informações desde já!”