… desabotoou a calça e esfregou seu pênis em mim – 2053

Quando eu tinha 8 anos de idade, morava em uma casinha simples em uma periferia do estado. Era filha única de dois pais extremamente zelosos e carinhos.

Eu tinha algumas primas que moravam na rua próxima a minha casa, sempre brincávamos na minha, pois meus pais tinham medo de que algo ruim pudesse acontecer comigo perto de possíveis “estranhos”.

Certo dia, em um final de semana, minhas primas e os pais delas foram fazer um churrasco lá em casa. Foi extremamente divertido a princípio. Na época, o “É o Tchan” fazia muito sucesso, e eu tinha inúmeros conjuntinhos como os das dançarinas. Nesse final de semana, eu estava utilizando. Era uma saia com top, o tecido era bem leve e maleável, dava pra brincar a vontade.

Meus tios com minhas primas não foram sozinhos, eles levaram um tio de “2º grau” delas, que tinha por volta dos 26 anos. Mesmo muito inocente, eu percebi que ele me observava enquanto eu corria no quintal de casa, ou quando cruzava com ele pela cozinha. Mas até então, nada passou de um simples estranhamento. Até que ele teve a “brilhante’ ideia de brincarmos de esconde esconde em meu quarto. Chamou todas as primas e disse que ele seria o juiz. Pediu para que fizéssemos um circulo, e colocou cada menina em um devido lugar, por coincidência, o meu lugar foi de costas para a barriga dele.

Ele disse que contaria até 10 e desligaria a luz, nisso todas correriam pra se esconder, e ele iria atras da gente. A contagem começou. Ele desligou a luz no 8… eu estava com um sorriso enorme no rosto, ansiosa pra me esconder (era meu quarto e eu sabia exatamente onde). 10!!! Ele me agarrou pela cintura e tampou minha boca. Eu esperneei enquanto escutava as pegadas das meninas se escondendo…

Ele me colocou encima da minha cama, desabotoou a calça e esfregou seu pênis em mim, por baixo da saia… não teve ter durado muito, mas foi uma eternidade pra mim e meu desespero. Chutei-o e sai correndo pelo quarto. Lembro da sensação de falta de ar, de incompreensão e de medo. Corri até uma caixa de isopor e me agachei, com medo. A luz acendeu, ele mandou todas sairem do quarto pq ele estava cansado, ninguém entendeu nada.

Eu corri até meu pai, ele estava deitado no sofá assistindo TV. Deitei em sua barriga, um de frente pro outro. Meu grande herói… o Abusador chegou a sala, agachou-se de frente pro meu pai e falou algo com ele que eu não entendi. Acho que a tensão não me fez perceber o que ele falava. Ele me olhava intensamente, meu pobre pai não percebeu.
Fiquei aterrorizada, alguns anos depois contei ás minhas primas… elas riram e disseram que nao tinha sido nada. “brincadeira do tio safado”.

Hoje tenho 23 anos, meu marido é o único a saber disso.
O abusador continua frequentando a família, mas eu nunca estou em encontros assim. Fui covarde aos 8, ainda sou por achar que ninguém vai acreditar, que irão colocar a culpa em mim por esconder algo por tanto tempo.

Não tenho filhos, mas peço a quem tenha, que por favor, zele, cuide, desconfie… o mal pode estar em sua casa se fazendo de melhor amigo. Seus filhos são inocentes, alguns jamais conseguiriam desabafar ou relatar um abuso. Atentem-se ao medo, ao silêncio… ele diz muita coisa.

Pela primeira vez minha história sai das paredes da minha casa e ganha o mundo. Espero que ela construa algo melhor do que construiu pra mim!

Obrigada.