desisti do cursinho po causa do assédio – 1144

1144 – Tenho 17 anos e moro numa cidade no interior de Minas Gerais. No ano passado minha mãe decidiu que iria me colocar num cursinho pré-vestibular no período da noite; optamos por um em outra cidade, já que onde eu moro não havia nenhum “polo”. Eu pegava a van todas as noites e ia para o cursinho. Certa vez, uma de minhas colegas (com quem eu passava a maior parte do tempo lá) levou um amigo dela (ele tinha uns 24 anos por ai) para passar o intervalo com a gente. Ela me apresentou à ele, conversamos bastante sobre um monte de coisas, religião, politica, aborto e etc.. Até aí tudo bem, achei ele um cara legal e bom de papo, até que ele começou a esfregar a minha perna (sim, na frente da minha amiga). Eu fui me afastando, mas não coloquei muita maldade na ‘passada de mão’ dele.. preferi acreditar que ele estava se apoiando na minha coxa para se levantar ou algo do tipo. Beleza, fiquei quieta. Enquanto eu ia conversando com ele, ao mesmo tempo eu ia respondendo alguns sms pelo meu celular e ele ficava dizendo “com quem você está falando?”, “desliga esse telefone e fala olhando pra mim” e coisas do tipo. Também preferi não colocar maldade nisso, pensei que fosse coisa da minha cabeça, mas não parei de responder os sms. A campainha tocou e eu voltei para a aula junto com a minha amiga e o cara acabou indo embora. A minha amiga me perguntou se eu havia gostado dele, me contou que ele tinha namorada e acabou soltando que ele morava em outra cidade. No dia seguinte ele voltou de moto, disse que havia dormido na casa da mãe dele, passamos o intervalo juntos novamente, eu, a minha amiga e ele. Dai ele começou a dar indícios de que queria ficar comigo e eu fui cortando ele de cara porque gostava de um outro rapaz. Ficamos de boa e voltamos para a aula, eu pensei que ele tivesse ido embora até que, faltando uns 15 minutos para a aula acabar, ele subiu as escadas do prédio e foi até a porta da sala onde eu estava e ficou do lado de fora batendo no relógio como se quisesse dizer “já está na hora” . Eu fiquei assustada, minha amiga já havia ido embora porque precisava pegar o ônibus (no fundo acho que ela sabia disso, acho que combinaram). Todo mundo olhou pra porta e depois para a minha cara. Eu juntei as minhas coisas e mesmo morrendo de medo eu fui. Cheguei no corredor e ele começou dizendo que ia me acompanhar até o ponto onde eu pegava a van, acho que nunca tremi tanto em toda a minha vida. Todas as forças pediam para eu não ir, mas não controlei meu corpo. Por medo eu acabei indo, ele me acompanhou até a esquina onde eu pegava a van e nesse “percurso” ele deu a entender que sabia umas coisas sobre mim. Que a minha amiga tinha dito para ele umas coisas que eu havia feito, que eu não era uma santa, que eu estava fingindo e tudo mais. Nesse dia, por obra divina, a van passou cedo e eu me livrei dele. Fiquei uns três dias sem ir no cursinho, inventei para a minha mãe que eu estava passando mal. Quando retornei descobri que durante esses três dias ele havia ido lá na cidade do meu cursinho para saber onde eu estava,  tipo – G_G  – não fazia nem uma semana direito que eu tinha conhecido ele. Nesse mesmo dia ele voltou e eu tive uma enorme vontade de chorar e dar uns tabefes nele; eu não queria nem descer mais para passar o intervalo, queria ficar na sala, mas essa minha amiga me pediu para descer e dar um basta, dizer um não para ele. Eu fui, novamente, contra a minha vontade, desci e chegando lá ela simplesmente pegou a moto dele e foi dar “umas voltinhas” e me deixou sozinha com o cara. Ele começou com as cantadas sem graça, falando umas coisas estranhas e nojentas e eu tentando me esquivar. Quase pedia socorro para as poucas pessoas que passavam na rua, lembro que teve uma hora em que ele me agarrou por trás e esfregou o “membro” dele na minha bunda, eu fiquei muito assustada, de verdade, queria soltar um grito ali mesmo. Enquanto isso a rua ia ficando mais deserta ainda e eu disse pra ele que queria subir de volta para a aula. Comecei a dizer que era uma aula muito importante e tudo mais e ele disse “você não vai embora daqui enquanto a (minha amiga) não voltar” e eu fiquei sem reação. Eu disse que a primeira pessoa que passasse eu iria pedir ajuda, que eu ia gritar e ele pensou que eu estivesse brincando, que eu estava me fazendo de dificil. Ele fez de tudo para me beijar, me ‘encurralou’ numa parede e foi por muito pouco. Confesso que quase cedi, não por querer, mas para que tudo aquilo acabasse logo. Uma das professoras do cursinho estava indo embora e desceu as escadas, nisso eu pedi pra ela ajudar. Eu disse que ele não queria me deixar subir e ela passou e deu uma risadinha achando que fosse uma ‘brincadeirinha de casal’. Depois que ela virou as costas ele me chamou de louca, disse que sabia o que eu tinha feito, novamente deu a entender que sabia coisas sobre mim. Eu fiquei calada o resto da noite esperando a minha colega voltar com a moto dele. Ela voltou e eu subi, não falei nada. Voltei para a sala de aula e os dois subiram e ficaram rindo da minha cara no corredor como se estivessem debochando de mim. Tudo bem, depois ela entrou e ele foi embora, pelo menos foi o que eu pensei. No fim da aula, pela segunda vez, quem aparece para me ‘levar no ponto para tomar a van’????? Exato, o cretino foi me “buscar”. Eu queria desabar, bater nele e nela, mas com toda a força que tirei do inferno (só pode) eu fui calada. Quando a van chegou ele segurou o meu braço e me deu um beijo na bochecha para todo mundo da van ver. Depois desse dia eu NUNCA MAIS voltei no cursinho. Minha mãe já havia dado os cheques no começo do ano, ela teve prejuízo, eu inventei várias coisas, cheguei a passar a noite na praça e dentro de carro de professor para não ter que ver nem ele, nem a minha “amiga”. Não voltei mais lá, não me despedi de ninguém, não peguei os livros que restavam para receber. Em Outubro consegui convencer a minha mãe de que eu não iria mais. Nunca mais vi nenhum deles. Meu sonho era fazer História, estudei muito pra isso e ‘morri na praia’ por causa desse cretino, por medo dele. Não passei, minha nota foi muito ruim e eu sei que se tivesse ido em todas as aulas eu teria uma grande chance. Infelizmente não foi possível. Quando conto isso para alguém eles me perguntam porquê eu não contei para ninguém na época, porque não chamei a policia ou pedi para a administração do pré-vestibular proibir a entrada dele, mas eu tive medo. Medo da minha mãe saber, ela iria chamar a policia e eu não queria meu nome envolvido nisso, pois ele iria contar a tal história que jogou algumas vezes na minha cara sobre saber de algo sobre mim. Tive medo de me questionarem o motivo de eu ter descido com ele quando era para eu estar assistindo aulas. Tive medo, só medo, eu fui a vítima nessa história toda e isso só prejudicou a mim mesma.