despertei assustada com um homem fazendo sexo oral em mim – 1038

1038 – Acompanho a página, os relatos e senti vontade de expor o meu também.

Minha memória não costuma ser muito confiável. Com o tempo, pouco a pouco, as lembranças vão sumindo e esqueço de coisas que gostaria de lembrar, momentos e informações importantes. Mas tem coisas que por mais que me esforce, não consigo esquecer. Ao menos a sensação persiste viva.

Há uns anos, fui a uma festa da família de um cara com o qual ficava. Eu e ele, primeiro estabelecemos uma amizade e depois começamos a ficar. Assim, antes mesmo de ficarmos já frequentava a casa dele e conhecia seus parentes. A tal festa era um churrasco fora da cidade e começamos a beber cedo. A noite, depois de muita comida, cerveja e conversa, fui sozinha deitar nas barracas de camping arrumadas para acomodar os convidados. Não sei quanto tempo se passou desde que adormeci até o momento que despertei assustada com um homem entre as minhas pernas, fazendo sexo oral em mim – eu estava de vestido. Empurrei o tal homem, muito confusa e corri para onde estavam as pessoas acordadas. Puxei meu ficante para um canto e, desesperada, pedi para que fossemos embora naquele segundo, mas como não havia mais ônibus tivemos que esperar. Tive que engolir os minutos até amanhecer, chorando e tentando ainda entender o que tinha acontecido. Não contei todos detalhes para meu ficante pois se tratava do marido da prima dele, genro dos donos da casa, mas fiz ele jurar que não sairia do meu lado até sairmos daquela casa.

Quando finalmente saíram os primeiros raios de sol, estávamos na estrada esperando o primeiro ônibus de volta para casa. Eu repetia a história e meu amigo dizia para eu me acalmar. Como alguém poderia pedir isso depois do que aconteceu? Fato que agravou ainda mais o que aconteceu foi justamente o de ele não ter entendido a dimensão do que aconteceu, não ter dado a importância, não ter se revoltado, sua reação ter sido muito aquém do que se podia esperar. Nunca mais o olhei da mesma forma.

Outra coisa que se soma, é o fato de eu, que me achava tão consciente dos meus direitos e defensora deles em diversos planos, me vi acuada e me omiti. Sendo o agressor conhecido, escolhi o silêncio, enquanto poderia ter feito uma denúncia formal.

Difícil de esquecer ou deixar para lá…