deu uma risada nojenta e falou “dá outro abraço no vovô” -1273

1273 – Depois de MUITO tempo seguindo a página, resolvi finalmente compartilhar alguns dos abusos que já sofri. Uma das coisas que me motivou foi uma briga que comprei com um “amigo” por conta da pesquisa do IPEA, onde ele disse que o país tem problemas mais importantes que esses, e que o bom de tudo isso foi ver “várias gostosas seminuas com plaquinhas”. O machismo dele não me calou, o que deu forças para falar o que eu guardava há anos.

Foram 2 as situações que mais me marcaram, e só tinha falado sobre uma delas até ontem, e só com algumas pessoas realmente próximas que me entenderiam e confortariam.

1. Eu deveria ter por volta de uns 16 anos e estava na casa de uma amiga da minha mãe. Essa amiga pediu pra eu buscar o filhinho dela, que estava na casa do lado, com o avô. Quando eu fui pegar o bebê, o velho me agarrou e tentou passar a mão em mim, eu consegui me soltar e saí correndo, enquanto eu corria ele deu uma risada nojenta e falou “dá outro abraço no vovô”. Eu voltei pra casa da amiga e menti que o menino quis ficar com o avô e nunca contei isso pra minha mãe ou mais ninguém. Tirando meu avô, até hoje tenho nojo de homens idosos perto de mim, não consigo ficar perto que me embrulha o estômago.

2. Eu já estava com 17 anos e fui com a minha mãe e umas amigas em uma festa de aniversário. Meu ex-padrasto foi também, ele e minha mãe estavam juntos há cerca de 2 anos e ele sempre tinha me respeitado e me tratado muito bem. Pela primeira vez ele dormiu na nossa casa, minha mãe pediu que ele dormisse na sala. Mesmo eu sendo menor de idade na época, todos nós bebemos naquela noite (o que não justifica NADA), então eu estava muito sonolenta.

Durante a madrugada acordei uma vez com ele entrando no meu quarto só de cueca. Reclamei qualquer coisa e ele saiu. Acordei uma segunda vez com ele (novamente só de cueca) tirando meu cobertor, dos meus pés para a cabeça (nunca consegui lembrar se ele me tocou, escolhi acreditar que não), reclamei de novo e ele saiu do meu quarto. Acordei uma terceira vez, com ele (de novo de cueca) em pé ao meu lado tentando deitar na minha cama. Pela primeira vez eu tive alguma “atitude”, empurrei ele, pedi que sumisse e corri pro banheiro.

Não sei quanto tempo fiquei trancada chorando e tentando digerir o que ocorreu, e o que poderia ter ocorrido. Passei o dia fora de casa, com amigas tentando espairecer até conseguir contar pra minha mãe. Após o término deles ele ainda me seguiu por um tempo, no meu curso de inglês, tentando fazer amizades no condomínio que eu moro, depois fez um perfil falso no orkut e no msn e tentou marcar encontros comigo, até eu descobrir que era ele e bloquear. Não sei (e nunca quis saber) o que aconteceu pra fazer ele sumir de vez e eu finalmente ter paz.