Dois homens nos defenderam de um assediador – 1276

1276 – Oi meninas. O que vou contar aconteceu hoje (16.04) quando minha mãe e eu tinhamos acabado de sair do mercado.

Então, hoje fomos fazer as compras de páscoa e como não temos carro, estávamos no ponto de ônibus com as bolsas em cima do banco. Quando chegamos, tinha um rapaz sentado no banco do lado, então fomos para o outro em que podíamos ocupar todo o banco. Logo após, chegou um senhor alto e forte (daqueles homens que parecem armários) e sentou do lado do rapaz que já estava no banco.

Enquanto esperávamos o ônibus, eu e minha mãe ficamos conversando e tal, e vimos um cara chegando perto do ponto. Ele estava arrumado e com um jornal debaixo do braço (o que não nos fez desconfiar de nada). Esse cara parou perto dos dois homens que estavam do lado e começou a gesticular pra eles, e os homens devem ter pensado que ele era mudo ou algo do tipo e tentaram responder dizendo que ali só passava ônibus pra ir pra tal sentido da cidade. Até ai tudo bem. Depois, esse cara veio pro nosso lado, mas eu virei de costas e continuei conversando com a minha mãe. Ele então parou na nossa frente e começou a gesticular. Eu pensei por um tempo que ele estivesse pedindo dinheiro e já ia responder que não tinha quando ele falou com a minha mãe “Vai almoçar comigo, dona?”. Minha mãe olhou pra mim e ignorou o cara. Ele insistiu “hein? Vai comer comigo!” e teve a ousadia de passar mão na perna da minha mãe. Minha mãe tem 55 anos, é muito conservada mas eu nem sei porque estou dizendo isso, pois não tenho que tentar justificar a atitude do cara escroto que passou a mão nela. Eu fiquei abismada, pensei que por estarmos de duas, de dia, e com pessoas por perto, aquilo nunca iria acontecer.

Quando o cara passou a mão na perna da minha mãe os homens que estavam no ponto gritaram com o cara “Deixa a mulher em paz, doido” Não mexe com elas não” e o cara respondeu “eu não to falando com vocês. Tô falando com elas, não se mete”. E enquanto isso nós começamos a juntar as bolsas do mercado pra levantar. Levantamos e ficamos em pé do outro lado e o cara continuou cercando a gente, até que os homens ameaçaram ir pra cima do cara. O senhor grisalho que parecia um armário levantou e disse para sentarmos no lugar dele. E eles ficaram “discutindo” até que o cara tarado foi andando pra ir embora.

No caminho, tinha uma mulher vindo e o cara foi mexendo com a mulher, e os homens do ponto gritaram com ele pra tbm deixar a mulher em paz. Então o tarado atravessou a rua, mas quando viu que tinha um carro dirigido por uma mulher vindo, parou na frente do carro e ficou falando com a mulher. Só saiu quando outros carros começaram a buzinar pra ele. Do outro lado da rua, tinha uma menina de no máximo uns 10 anos, com uniforme da escola, mochila, e o cara foi indo pro lado dela. O cara não parecia estar bêbado, nem drogado. Também não parecia doente mental. Nessa hora, um dos homens que estavam no ponto levantou dizendo que esse cara devia ser doente e foi indo atravessando a rua, dando a entender que ia atrás dele pra se certificar de que ele não ia atacar ninguém no caminho.

Eu fiquei muito impressionada com a atitude desses homens. Eu só tenho 19 anos mas em toda a minha vida nunca vi pessoas tão preocupadas com a segurança de desconhecidas. Nunca vi homens se importando assim. Ficamos só minha mãe e eu e o senhor grisalho e alto, e ele ficou contando que tem duas filhas, que morre de medo de elas andando sozinha na rua. Que tem vontade de colocá-las pra fazer alguma arte marcial e que quando vê algum cara mexendo com mulher na rua ele sempre entra no meio.

Pensei que não existisse mais homens assim.