É como se nós, mulheres, fossemos uma sub-classe – 814

814 – “Hoje quase morro de tanta raiva. Eu, andando na rua, com uma roupa super comportada, estava voltando do trabalho (e mesmo que não fosse essa a situação, não daria margem à falta de respeito) e um inominável (é melhor xingá-lo assim), que deve ter uns 16 anos, passou soltando graças, coisas que nem me lembro agora, acompanhado de dois amigos. Olhei pra trás, para os lados, e percebi que a avenida estava deserta, não havia ninguém além de nós, então aquilo só podia ser dirigido à mim. Fechei a cara. Por fim, ele cantou uma musiquinha nojenta que terminava com a frase “me chupa”.
O que mais senti foi ódio. Por não poder responder. Afinal, ele é um marginalzinho, que anda armado, e já tentou assaltar na rua em frente à que moro. Ele ainda não me conhece (devido ao fato de eu não circular no bairro nos horários “convencionais”), e se soubesse quem é o meu marido, certamente nem olharia pra minha cara. E é isso o que mais chateia: ser respeitada pelo fato de “pertencer” a um homem, e não por ser gente e, portanto, digna de respeito.
Esse sentimento de pertença dói. É como se nós, mulheres, fossemos uma sub-classe. “