E ficou ali me encochando – 801

801 – “Quero deixar meu relato também, pq não tem coisa mais irritante e degradante que ser assediada na rua.
Nunca passei por momentos de pânico, como algumas relataram aqui, de perseguição, etc, mas aqueles momentos que dão nojo, que fazem a gente sentir nojo de nós mesmas, já passei por vários.
Esses dias, foi paralisação dos ônibus aqui em Porto Alegre. Fui para a parada e tive sorte de logo vir o ônibus, que já estava lotado. Fiquei ali, em pé, um cara se ofereceu para segurar meu casaco e minha bolsa. Até aí tudo bem… Daqui a pouco, entra um velho com uma maletinha e resolve parar EXATAMENTE ATRÁS DE MIM! E ficou ali me encochando. No primeiro momento, pensei que ele estava esperando pra poder passar, que tinha gente trancando o corredor (e nem assim, justificaria aquilo). Aí o ônibus ficou parado uns 15 minutos por causa de uma tranqueira, sem mexer um milímetro e aquele cara continuou ali atrás de mim… Então, eu comecei a ir pro lado, inclusive empurrava o outro senhor que estava em pé ao meu lado esquerdo. Eu abri um espaço tão grande no meu lado direito para aquele cara que cabia umas duas pessoas ali e, mesmo assim, aquele velho nojento não saiu de trás de mim.
Aí eu entrei naquele dilema, gritar, xingar o cara ou tentar sair dali, coisa que não consegui fazer depois…
É impressionante como é fácil a gente se sentir um lixo quando esse tipo de coisa acontece, como é fácil a gente se sentir extremamente vulnerável. Mas desde aquele dia, eu decidi que não vou mais ficar quieta quando esse tipo de coisa acontecer comigo. Grandes coisa o que vão pensar as pessoas que estiverem na volta, se elas vão me ajudar ou me julgar, não me interessa! Isso tem que acabar! E isso só vai acabar quando os filhos homens forem ensinados desde crianças a respeitarem as mulheres, a nos verem como iguais, não como inferiores. Porém, até lá, a gente vai precisar brigar na rua e gritar com esses infelizes pra ver se reeducamos essa sociedade machista na marra.”