e o homem foi atrás, me encoxando – 682

682 – “Oi, queria contar uma coisa que aconteceu comigo quando eu tinha treze ou catorze anos e me marcou muito. O caso é que eu voltava da escola de perua escolar, mas no dia tive que subir uma rua para a avenida perto da escola e de lá pegar ônibus, já que tinha que buscar meus novos óculos. Peguei o ônibus normalmente, e sentei em um banco do corredor, justamente porque sou paranoica o suficiente para ter medo de sentar na janela. Um homem entrou um ponto depois do meu e ficou de pé ao meu lado. Estranhei, já que havia outros bancos vazios, mas não dei atenção. Logo ele começou a esfregar o quadril no meu ombro e eu só abaixei a cabeça. Depois de um tempo, ele se sentou no banco ao meu lado (o banco da janela), colocou a mão no seu colo e estava fazendo algo com a mão, já que seu cotovelo começou a cutucar meu quadril. A essa altura eu estava muito incomodada e não olhava para o lado. Me levantei para dar sinal, com a mochila pendurada em um ombro, e o homem foi atrás, me encoxando. Coloquei a mochila no outro ombro e o homem foi para o lado, com o braço sobre meus ombros ainda. Me mexi o suficiente para ele ser obrigado a ir para frente, e ele bloqueou a porta. Finalmente o ponto chegou e ambos descemos. Fiquei parada no ponto esperando que ele saísse, porque não queria que ele visse onde era minha rua. Ele atravessou a avenida depois de um tempo e seguiu na direção da minha rua (só que do outro lado da rua). Saí correndo. Estava desesperada, com medo de o sujeito me seguir, já que eu passava as tardes sozinha em casa. Foi horrível. Eu não sabia o que fazer. O que um homem poderia querer com uma garota com óculos de nerd, uniforme e suada? Na época fiquei muito mal. Espero que se algo parecido acontecer comigo hoje em dia eu tenha a força suficiente para pelo menos chamar a atenção dele, mostrar que isso não me agrada.”