Ele abordou cada uma e deu um beijo nojento no rosto – 953

953 – Hoje aconteceu comigo.

Eu costumo fazer um bom debate feminista, me posiciono no trabalho e em diversos lugares. Moro sozinha, uso o que quero, saio a hora que quero etc.

Fui à praça, que fica na periferia da cidade de Campinas, como sempre vou tomar cerveja e estava com uma amiga.

Estávamos sentadas no banco da praça conversando quando chegou um homem já velho e me chamou pra tomar cerveja. Eu disse que não, ele disse que era para conversar, eu novamente disse que não estava a fim. Ele saiu “educadamente”. Desta primeira vez eu estava “armada”, diante da “civilidade” dele em não insistir acho que desarmei.

Um tempo depois ele retornou e nos abordou novamente. Veio se despedir pois estava indo embora. Apertou a minha mão.

No caso da minha amiga que tem traços nordestinos/negros (falávamos na hiper sexualização do corpo da mulher negra, e das diferentes abordagens das brancas e negras) ele perguntou se ela queria transar. Ela disse que não. Ele perguntou se éramos um casal, e na tentativa de nos livrarmos logo dele dissemos que sim. A situação piorou. Ele abordou cada uma e deu um beijo nojento no rosto, além de ter me dado um tapa (tipo daqueles ardidos) no braço, e saiu andando. Assim, em praça pública. Ficamos estarrecidas, e nos perguntamos sobre o que havia acontecido. Era o machismo, nu e cru ali, e deixando a gente impotente.

Em seguida lembrei desta página e fiquei triste por não ter reagido imediatamente. Mas é isso, a coisa pega a gente de forma bem mais séria, são anos e anos de opressão.