ele coloca uma das mãos na genitália, balançando tudo – 862

862 – “Sou estudante de dança, e esses dias eu voltava a pé para casa, já que a escola fica a pouco quarteirões de minha casa e voltava maquiada, pois havia tido uma aula de maquiagem de palco, com direito a contorno de rosto sombra em degradê e tudo o mais (era por volta de 20:00, um sábado, e para contrastar com o luxo da maquiagem eu vestia camiseta, calça jeans e tênis).Quando passa por mim um rapaz, de no máximo uns vinte anos, com boné frouxo equilibrado no alto da cabeça (nunca entendi essa moda de usar um boné menor e frouxo no topo da cabeça, mas cada um na sua), blusão largo e calça abaixo da cintura, com cueca folgada saindo pelo cós. Ao se aproximar de mim, ele coloca uma das mãos na genitália, balançando tudo para cima e para baixo, enquanto joga o corpo para frente e na diagonal na minha direção, exclamando: ‘oi, gostosa!’ Eu me afasto o máximo que posso dele, e apresso o passo, enquanto ainda ouço a voz dele perguntando se eu não queria parar e conversar (até parece que um ser desses merece cinco segundos de conversa!). Mas o que mais me deixa triste, é que dias depois ao comentar com amigos e amigas a situação, me questionaram se o comportamento dele foi deflagrado pela minha maquiagem, como se andar maquiada fosse um convite para um homem se portar obscenamente, grosseiramente e imbecilmente em público, diante de uma mulher! E como se eu quisesse esse tipo de atitude para comigo!

A situação é tão absurda! fico imaginando o que se passa pela cabeça de um homem que agita sua genitália ostensivamente na frente de uma desconhecida? Será que ele pensa que vamos gozar, só de ver seu ato? Será que ele pensa que está se passando pelo homem mais desejável do mundo? que é o mais sexualmente desejável, másculo, bem contado? Será que ele entenderia se soubesse o asco indefinível que sentimos por seres assim?”