ele começou a abrir a calça, fiz de conta que não vi – 621

621 – Não me considero uma mulher sexy, nem mesmo interessante à primeira vista. Mas apesar disso, coleciono episódios bizarros ao longos desses quase 30 anos. O primeiro que me lembro foi quando eu tinha uns 15 anos. Estava sozinha no ponto de ônibus em frente à minha casa, quando se aproximou um sujeito estranho. Até pensei em voltar pra casa, já que era perto, não sei por que não fiz isso. Ele não me falou nada, só me olhava. Até que começou a abrir a calça, mas não tive coragem de olhar. Fiz de conta que não vi nada. Tenho flashes de lembrança de ter visto o pênis dele, mas como eu nunca tinha visto um pênis, não sei se vi mesmo. Ele me assustou muito. Pegou o mesmo ônibus que eu e me viu descer na escola. Passei meses com medo de ver ele de novo, sabia onde eu pegava ônibus e onde eu estudava. Por sorte, nunca mais vi. O segundo caso foi há dois anos. Eu saio cedo para o trabalho, e estava escuro ainda quando estava a caminho do ponto de ônibus. Um cara de moto passou por mim e me falou alguma bobagem que já nem me lembro e eu mandei o cara pra aquele lugar. Ele deu a volta na quadra, poucos carros passavam por ali. E eu estava então, sentada, sozinha, no ponto de ônibus. O sujeito passou com a moto bem próximo à calçada, levantou a viseira do capacete e ficou me encarando por uns segundos. Depois foi embora. Eu fiquei paralisada, sem respirar, apenas olhando nos olhos dele. Não consegui ver a placa, fiquei apavorada. Passei semanas trabalhando em outro horário para ele não me marcar. E toda vez que vejo uma moto, tenho um pouco de medo. E jamais respondi a nenhuma gracinha depois disso. é o mais racional a fazer, no fim das contas. É revoltante, mas essa força violenta e silenciosa é muito maior do que o meu desconforto. Preferi calar. Tenho mais exemplos, mas estes dois foram mais marcantes.