ele continuou tentando me agarrar e eu sempre fugia – 1241

1241 – Eu estava refletindo sobre a frase “toda mulher tem uma história de horror pra contar” e eu pensei, que eu era sortuda, pois não me lembrava de nada pra contar. Mas aí algo surgiu na minha memória, e eu constatei que eu não sou exceção, faço parte da regra. E isso foi uma merda.

Eu estava no primeiro colegial e no colégio não era obrigatorio uniforme, e num desses dias super quentes eu coloquei um shorts e uma saia por cima (que eu achava bonitinha) e fui. Tinha um rapaz na que muitas meninas achavam uma “gracinha” e de quem eu sentia muito, muito nojo, mesmo não sabendo exatamente porquê.

Nesse dia super quente eu estava ouvindo musica e conversando com uns amigos em uma das aulas vagas, quando ele chegou por trás e disse algo como “você tá uma gracinha com essa saia” e me abraçou. Eu empurrei ele e disse pra ele sair de perto de mim. Ele só achava engraçado e continuava se aproximando. Mesmo eu fazendo o maior escandalo na sala ninguem mexeu um musculo pra me ajudar.

Eu empurrei uma mesa na direção dele e sai da sala, só voltando quando o professor entrou. Eu perguntei depois pra uma amiga por quê ela não tinha me ajudado e ela disse que “achava que era só brincadeira”. Eu lembro que nos outros dias ele continuou tentando me agarrar e eu sempre fugia.  “nossa, mal educada! Vai lá, metida!” Pedi ajuda pra uma amiga dele e ela disse que “iria falar com ele”.

Eu tinha muita vergonha, não conseguia contar pra diretora porque achava que ela ia achar idiotice e pôr a culpa em mim e no final eu não receberia ajuda nenhuma. E o cretino não parou, não importava a roupa que eu usava. Eu ia pra escola e tinha que fugir… até um dia que eu contei o que tava acontecendo pra um veterano com quem eu tinha feito amizade e ele se propôs a me ajudar. Só quando esse cretino recebeu a ameaça de levar uma surra é que ele parou e eu pude ir pra escola em paz.

Eu não lembro por quanto tempo isso aconteceu e nem de todas as coisas com clareza, porque agora já faz alguns anos desde que eu me formei e eu tinha trancado isso na minha mente. Eu não sabia que isso era abuso até então, mas lembro de sentir muito nojo, muita vergonha e me sentir abandonada e desacreditada.