Ele forçou tanto que acabei desistindo de lutar contra – 923

923 – “Eu sei que essa história não é de cantada, aliás, longe disso, mas sei que aqui ninguém é discriminado.

Isso aconteceu em maio de 2006, eu estava a dias de fazer 18 anos. Na época, era a “periguete” da turma. Ficava com todos os meninos (e algumas meninas também) e nem ligava para julgamentos. Acho que era meu lado feminista aparecendo.

Enfim, eu fiquei amiga de um cara do grupo com quem eu não tinha tanto contato. Saímos algumas vezes como amigos e em uma dessas vezes, começou a chover. Eu, de camiseta branca, aceitei o convite dele para irmos esperar a chuva passar em sua casa.

Lembro-me de estarmos sozinhos e d’ele tentando me beijar e eu me esquivando e me encolhendo no sofá. Cheguei a colocar a cabeça entre os joelhos, tudo para fugir dele. Disse “não” várias vezes e mesmo que não tivesse dito, minhas ações demonstravam o quanto eu não queria aquilo.

Ele forçou tanto que acabei desistindo de lutar contra. Ele me beijou e disse “Sabia que você queria”. E continuou tentando me beijar, até que conseguiu. O que aconteceu depois, eu não sei explicar ao certo. Lembro somente da sensação de estar me sentindo suja, d’ele transando comigo e no final falando “Bem que me falaram que a camisinha vermelha não era boa”.

Assim que tudo acabou, eu fui embora correndo, entrei em casa e fui direto tomar banho. Me esfregava com força, como que se quisesse tirar aquilo de mim, tentando tirar os toques dele.

No dia seguinte, todo mundo sabia. Ele se gabou, falando para todos que tinha “me comido”. As meninas todas vieram perguntar sobre. Eu menti. Disse que foi bom. Afinal, quem acreditaria em mim? Eu era a periguete do grupo, eu estava sozinha na casa dele e eu “tinha deixado”. Até hoje me arrependo, devia ter lutado mais, não deveria ter desistido e me conformado.

Durante muitos anos, achei que a culpa fosse minha e me recusei a entender o que de fato havia acontecido ali. Hoje consigo entender que foi um estupro, que ele estava esperando a oportunidade perfeita. Também consigo entender que se bobear, ele nem sabe que me estuprou, nem tem essa consciencia. Hoje, só uma pessoa daquele grupo sabe sobre o que realmente aconteceu naquela tarde chuvosa.

Eu me afastei do grupo e hoje, aos 25, sou uma pessoa totalmente diferente, mas nunca mais falei com o tal “amigo”.”