Ele trancou a porta atrás de mim, e me agarrou – 1090

1090 -Faz muito tempo que quero falar sobre isso. Aliás, não quero. Apenas quero me libertar desses sentimentos.

[TRIGGER WARNING – RELATO DE ESTUPRO]

Bom, não é exatamente uma cantada. É bem mais.

Quando tinha 15 anos eu fui diagnosticada com depressão, tinha ataques de pânico. Eu faltava muitas aulas, chorava muito. Por conta disso, passava horas na internet apenas pra me distrair. Tudo mudou quando eu conheci um rapaz, pela internet. Ela era da minha cidade mesmo, conversamos muito, e ele me conquistou. Depois de um tempo, ficamos, até que ele me pediu em namoro, com aliança e tudo mais.

Ele sabia pelo que eu estava passando, inclusive minha mãe o disse. Ele disse que iria me apoiar sempre. Ah.

Com dias de namoro, ele já ficava passando a mão nos meus seios e nas minhas partes intimas, e eu sempre tirando, dizendo que não queria.

É bem longo esse relato, então vou contar apenas uma parte.

Eu era virgem, nunca tinha namorado e nem ficado com ninguém. Era meu aniversário, na verdade, um dia depois. Ele me chamou pra ir na casa dele, eu disse que não queria tentar nada. Ele disse que iria me respeitar, que os pais dele estariam lá.

Bom, eu cheguei e não havia ninguém, e estava escuro. Sim, porque o pai dele economizava energia. Ele trancou a porta atrás de mim, e me agarrou, tentando tirar minha roupa. Eu disse que não, implorei, disse que não queria. Ele parou, olhou pra mim e disse que eu não me importava com ele, que não sabia o quanto isso era importante pra ele, e que ele só queria ter um “momento bonitinho”. Disse que era um sonho dele.

Eu, claro, me senti um monstro. Depois dele fazer todo tipo de chantagem, eu cedi. Eu não queria machucar o cara que “cuidava” de mim. Foi minha pior decisão. Eu chorava, pedia por favor pra ele parar, pois estava doendo de mais. O que ele disse ? “Tem que doer mesmo”, “Se não doeu é porque não rompeu ainda”, “Eu to quase gozando”. (Que nojo…)

Eu fiquei machucada. Muito. Chorando, num colchão no chão, enquanto ele abraçava e falava “foi bom”. Em momento algum ele se perguntou se estava sendo bom pra mim.

Depois disso, as coisas só pioraram. Eu escreverei outro relato, sobre isso.

Obrigada, que meus sentimentos fiquem nesse texto.