encontrava meios para se esfregar em mim – 907

907 – “Todos os dias eu pego ônibus para me deslocar até a faculdade que é sempre muito cheio. Por ser no mesmo horário, o motorista e o cobrador me conhecem, cumprimento-os cordialmente e reconheço o respeito deles por mim.

Como sempre estou acompanhada por uma amiga, nós costumamos conversar e acabamos não prestando muito a atenção nas outras pessoas que estão juntas no coletivo. Ela sempre desce antes de mim e eu sigo a viagem sozinha. Numa dessas viagens, eu tive a sorte de sentar e conversava com esta amiga até ela descer e, logo após, um rapaz se aproximou e ficou me olhando. Até aí, não queria encanar, porém, o cara começou a ficar um pouco mais próximo e encontrava meios para se esfregar em mim, mesmo que eu tentasse me encolher no banco ou colocar minha bolsa de modo que impedisse esse tipo de atitude escrota dele.

Não teve jeito: ele ficou cada vez mais abusado e persistiu nas investidas. Como já passei por situações tão ou mais absurdas que esta, acabei estourando e comecei a gritar com o cara, que revidou dizendo que eu estava louca. Já que sou louca e não tinha nada a perder naquele momento, gritei ainda mais até o motorista parar o ônibus e, por satisfação, consegui botar aquele sujeito para fora do ônibus.

Muitas mulheres que estavam ali parabenizaram a minha atitude e disse que se tivessem a mesma coragem, fariam o mesmo. Já vi algumas abordagens, tentei interferir para que não houvessem constrangimentos maiores às mulheres que dependem de transporte público. Sinto que preciso ajudar – não somente nessa circunstância – e faço isso tentando mostrar às outras mulheres que precisamos nos unir para destruir esse nojento empoderamento machista.”