enquanto estava com meu amigo, ninguém me assediou – 1062

1062 –  Um amigo me chamou pra fazer uma trilha em Grumari com uns amigos dele. Esse lugar fica distante de quase tudo no Rio e por conta disso demoramos mais de 2 horas pra chegarmos de ônibus. E lá por ser um lugar pouco habitado e isolado, não tem táxi e nem ônibus pra se locomover em alguns pontos…Tivemos que pegar carona com desconhecidos o que me deixou tensa porque nunca peguei carona com estranhos, mas não tinha jeito. O grupo se dividiu em duplas pra facilitar e então lá fui eu pedir carona com meu amigo.

Rapidamente um cara parou e entramos no seu carro. Ele foi educado e simpático conosco, mas mesmo assim eu estava com medo de que algo acontecesse e pensamentos paranoicos me invadiram. Passei o trajeto todo verificando se todas as portas estavam trancadas caso precisasse sair correndo, fiquei com a mão grudada na maçaneta, desejei que meu amigo estivesse ao meu lado no banco de trás e não da frente porque o cara poderia abrir a porta só pra ele e não pra mim…Enfim, senti medo de ser abusada. Porém nada de mal aconteceu, mas continuei tensa porque nunca se sabe graças a essa sociedade doente que promove a cultura do estupro incentivando homens a sempre abusarem de mulheres. Muitos caras reclamam que são vistos como estupradores em potencial, mas é assim que nós mulheres somos educadas a sempre a temer todos. E comigo ali naquele momento não foi diferente.

Chegando lá a trilha estava fechada e por conta disso resolvemos ir pra uma outra em outro bairro.

Como estava muito quente e o percurso mal tinha sombra, todos do grupo tiraram a camiseta. Menos eu que apesar de também estar morrendo de calor, não podia ficar que nem eles pelos motivos que todos sabem(ps: Meu amigo é muito bonito e quando tirou a blusa gostei do que vi, porém não senti vontade de estuprar e nem de falar nenhuma gracinha nojenta. Por que será, né?). Resolvi dobrar a blusa pra ficar pelo menos com a barriga de fora apesar do medo de ser assediada(ps: Meu amigo e nem seus amigos mudaram de comportamento ao me verem assim). Mas como estava com um grupo cheio de homem, ninguém mexeria comigo e de fato não fui atormentada.

Na volta vim sozinha e com a barriga coberta pra não ser incomodada, mas não adiantou. Fui pegar o BRT e assim que cheguei um cara estranho me abordou falando sei lá o que. Depois já sentada outro ficou me olhando com lasciva. Então nessa hora lembrei que machuquei feio a mão na trilha e virei a ferida propositalmente pra cima pra ver se ele ia gostar. Já que muita gente não gosta de ver sangue, por que não testar isso com esse babaca? E não é que funcionou? Ao ver o sangue, virou o rosto com cara de repulsa e saiu de perto de mim.

Minutos depois cheguei no terminal da Alvorada e fui perguntar a um funcionário onde saia meu ônibus. Ele respondeu me chamando de amor várias vezes, me olhou de cima a baixo e disse que se eu quisesse era só viajar com ele num tom meloso/nojento. E realmente fiz isso porque para o meu azar, ele era justamente o trocador do meu ônibus que até na hora do troco ficou me chamando de amor. Não podia esperar pelo próximo porque estava exausta. E ainda fez cara de que achava que estava me agradando! Sentei bem longe dele(esqueci de mostrar minha mão ensanguentada).

No final ao chegar em casa nesse dia tão movimentado, percebi que enquanto estava com meu amigo e os amigos dele, ninguém me perturbou mesmo quando andei de barriga pra fora coisa que é mal vista em toda a cidade, exceto em locais perto de praia. Mas já sozinha visivelmente cansada parecendo que ia desmaiar, suada e com a barriga coberta, fui assediada. E pra completar descobri que sangue afasta homem babaca.