entre barulhos de beijinhos e “gostosas” tentaram me puxar – 966

966 – Se existir alguma divindade, devo agradecer que hoje não me ocorra muito desses casos, mas na minha passagem de criança para a adolescencia eu vivi uma situação que me deixou desesperada e marcou minha adolescencia. Eu tinha 12 anos, era uma passagem de ano e eu e minha familia voltavamos a hospedagem apos vermos a queima de fogos. Um grupo de rapazes (ou homens adultos, o choque foi tanto que não lembro) tocou em meu rosto e entre barulhos de beijinhos e “gostosas” tentaram me puxar. Me segurei em minha tia que notou quase no mesmo segundo e me segurou também. Eles ficaram rindo, se divertindo. Minha familia praticamente teve que organizar um pelotão, me colocando no meio do grupo. Usava roupa branca, short, peças que minha mãe escolheu. Eu passei a achar que era minha culpa, eu sentia muito medo. Passei a me enfeiar (o que já agravou o bulliyng que sofria por outros motivos desde a tenra infancia na escola). No ano seguinte, na praia, um rapaz um ano mais velho ficou insistindo, praticamente me perseguindo, querendo que eu ficasse com ele. Até passar a mão em mim ele passou. Frustrado, me xingou de idiota, boba e fraca, me fazendo pensar por longos meses que eu de fato o era e que eu merecia ser xingada e não ser amada e desejada (no bom sentido). Por anos usei corte de cabelo sem corte, mal usava um batom, meu cabelo me envelhecia, usava roupas cafonas e compridas. Eu queria, eu precisava ser feia! Ainda recebo cantadas, mas anda bem raro. Mas não era o bastante. Por dois anos ainda sofri chantagem emocional de um ex para transar e não separarmos, ameaçando tirar a própria vida. Hoje eu agradeço pelo meu atual não me forçar a nada, pelo contrário, me protege, me apoia e se esforça em abandonas as raízes machistas. Desejo que essas coisas parem para todas nós, que moçxs combatam isso!