entre meus 11 e 12 anos de idade eu já era assediada na rua – 888

888 – “Então, sou uma mulher jovem, e tenho um corpo considerado bonito…tenho pernas grossas e isso acaba chamando atenção dos caras. Por esse motivo, quase sempre escuto uma gracinha na rua.

Desde que eu era bem mais nova, meu corpo já chamava atenção, então, entre meus 11 e 12 anos de idade eu já era assediada na rua por alguns caras abusados, ou melhor, por pedófilos desgraçados!!

Gostaria de relatar um desses casos…

Quando eu tinha entre 11 e 12 anos, tinha um cara – um tarado – que sempre mexia comigo todas as vezes que me via na rua. Ele ficava me olhando, me encarando e fazia cara de safado pra mim…falava coisas absurdas, mesmo eu sendo apenas uma criança! Até então, eu não sabia onde ele morava, mas sabia que era próximo a minha casa, pois eu sempre o via nas redondezas.

Um dia, eu estava vindo sozinha da escola e, nesse meu trajeto, sempre passava em frente à uma pequena vila que ficava perto da minha casa. Nessa vila, tinha uma cachorrinha muito linda, e sempre que eu passava por lá, brincava um pouco com ela, pois a vila não tinha portão na frente. Sendo assim, a cachorra me via e saía.

Eu parei, como de costume, e comecei a brincar com a cachorra e a fazer carinho nela. De repente, quando me dou conta, o homem tarado que sempre mexia comigo, estava no muro da vila me olhando, fazendo cara de safado e mordendo os lábios…

Então, ele me disse assim:” nossa, queria você fazendo carinho em mim assim..”

Nossa, eu fiquei totalmente sem reação, me senti muito mal, não sabia aonde enfiar minha cara… Eu estava meio que abaixada, então levantei, mas com o olhar fixo no chão e fui embora pra casa.

Para o meu azar, o tarado morava ali e era o dono da cachorra que eu sempre brincava. Nunca mais parei ali e nem brinquei com a cachorra. Eu sempre me sentia mal quando eu o via, pois sabia que mesmo que ele não falasse nada, me olhava com aquela cara de safado. Eu odiava ele.

Em outra situação, eu estava indo sozinha pro curso de informática e passei por uma rua que estava pouco movimentada e de repente, eu avisto o canalha do outro lado da rua. Bom, eu já imaginava o que estava por vir, iria ouvir alguma gracinha daquele filho da puta ou sentir o olhar dele em cima de mim. E realmente, não foi diferente. Mas nesse dia eu resolvi reagir. Mostrei meu dedo do meio pra ele e o xinguei. Ele ficou muito puto e parou, cruzou os braços e começou a me encarar de um jeito ameaçador. Fiquei morrendo de medo, não sei como não saí correndo, mas comecei a andar bem rápido, até perdê-lo de vista. Só aí fiquei mais calma…

Sempre tive muito medo dele, só consegui ficar tranquila quando ele se mudou do bairro.

Enfim, hoje tenho 24 anos e quando me lembro disso, fico com muita raiva, muita indignação. Não é possível que essas coisas aconteçam! Eu era criança, cara! Sei que infelizmente, outras meninas passam ou já passaram coisas piores, mas o problema é que isso é tão naturalizado, tão banalizado! Isso violência, é assédio!

O pior é que muitos machist@s querem colocar a culpa em você, na roupa que você veste. Gostaria de ressaltar uma coisa: no meu relato, eu disse que estava vindo da escola e, desta maneira, eu estava trajando o uniforme da mesma. Lembram daquele uniforme antigo da escola municipal,que era azul e branco, tinha o desenho de um livro aberto na camisa? Pois bem, essa era a roupa. Agora, alguém aqui ousa dizer que eu estava vestida de forma “indecente”? Eu estava “procurando” alguma coisa? Definitivamente, não é pela roupa que você usa! Isso é fruto de uma sociedade patriarcal, machista… Todxs merecem respeito, independentemente do que vistam!”