“essa ai é brava, não gosta de ficar de historinha” – 1245

1245 – Sou funcionaria pública há 3 anos. Logo que entrei, um certo funcionário de cargo de confiança vivia me telefonando e falando que eu era bonita, que não era menininha, era mulherão, que ele sabia bem como eu era, entre outras coisas.

Vivia aparecendo na porta da minha sala, só aparecia e ficava me olhando com cara de besta e ia embora sem falar nada. Eu nunca dei trela, e também já tinha sido avisada pelas colegas de trabalho que ele assediava todas as “novatas.” Aquilo só me irritava, dia após dia, e ia ficando cada vez com mais medo porque às vezes tinha que ir no arquivo do meu setor que é no terceiro andar; o andar todo é de arquivos e a sala dele era ao lado, sempre pedia para alguém ir comigo.

Depois de uns meses desse assédio não dizendo nada por medo do clima de trabalho ficar pesado não aguentei. Era um dia muito atarefado e ele continuava me ligando dizendo aquelas coisas, eu simplesmente olhei pra minha chefe como que esperando cumplicidade, e comecei a despejar pelo telefone “eu não sei aonde você quer chegar com essa história, que eu não estou gostando nada, não te dei liberdade para falar assim de mim e para mim, chega né!”. Ele ficou super sem graça, e o tempo restante que teve da administração que ele fez parte nunca mais se meteu no meu caminho e sempre que estávamos na mesma sala com alguém ele dizia “essa ai é brava, não gosta de ficar de historinha.”

Após ler algumas das historias aqui publicadas é que eu caí em mim e reparei todos os momentos constrangedores que passamos e que acabam “passando batidos” de tão “normais” que são….