“Essa daí é aquela que vocês disseram lá embaixo que iam cantar?” – Cantada 729

729 – “Moro em Belo Horizonte. Hoje, por volta das 22h, tinha acabado de sair da academia e estava na Av. Olegário Maciel esperando o ônibus, que estava demorando a passar, quando notei quatro rapazes subindo a rua. Eles estavam conversando entre si, não dei atenção. Quando passaram por mim, um deles disse “boa noooitee”, daquele jeito que todas nós conhecemos bem. Ignorei. Então, um amigo dele falou “boa noite para mim também!”. Continuei ignorando. Eles foram embora rindo e falando coisas que não entendi, então outro que estava vindo mais atrás falou alto “Essa daí é aquela que vocês disseram lá embaixo que iam cantar?” e continuou andando e rindo, e eu nem me mexi. Achei melhor não dizer nada, e também não soube o quê responder na hora.   Fiquei no ponto de ônibus, achei que estaria em paz, mas de repente ouvi passos na minha direção e uma voz atrás de mim, que disse: “boa noite, moça, desculpa te incomodar, mas meu amigo ali em cima mandou perguntar se você tem namorado”. Nessa hora meu sangue ferveu. Olhei para o cara, devia ter uns 17/18 anos, e falei em alto e bom som: “Vocês por acaso não se enxergam, não? Vocês acham que, simplesmente, vão cantar uma mulher na rua, e achar que ela vai ficar afim de vocês? Vocês não têm vergonha?”  O cara, como era de se esperar, começou o mimimi: “Nossa, mas a gente não fez nada com você, não precisa dar patada. Só queria te conhecer, pegar seu facebook, fazer uma amizade. A gente não te incomodou, eu vim falar como você na maior educação…”  (Fiquei pensando, quando foi exatamente que eles me trataram com educação? Quando eles me viram na rua e me elegeram como “essa daí que a gente vai cantar”? Quando eles passaram mexendo comigo, e continuaram sendo inconvenientes quando eu ignorei? Quando um deles mandou o amigo vir perguntar se eu não tinha “dono”, como um cachorro ou um objeto que ele pudesse dispor do jeito que quisesse? Muito educados, SQN!)  Queria dizer tudo isso que escrevi aqui, e muitas outras coisas, mas estava com tanto ódio na hora que só consegui falar: “Não me incomodaram? Quando foi que eu dei abertura para vocês virem falar comigo? Quando foi que eu mostrei interesse? Você por acaso acha que abordar uma mulher sozinha, a essa hora da noite, não é incômodo, não?”. O rapaz ficou mudo na hora, e eu o encarei. Então, ele falou “desculpa aí então, boa noite” e foi embora.   Esperei até ter certeza de que eles não voltariam e abri um sorriso daqueles, porque hoje eu venci.”