Esse mesmo tio continuou a me violentar – TRIGGER WARNING -1368

1368 – Já contei uma história, agora vou contar as que mais me assombram. Passei muito tempo decidindo se ia ou não contar isso aqui. Decidi que vou.
Quando eu tinha 6/7 anos, eu ia com muita frequencia à casa de uma prima mais velha que eu. Adorava estar perto dela, ela era o que eu queria ser quando fosse maior: bonita, inteligente, engraçada, carinhosa comigo… sempre era muito divertido. Até que um dia, cheguei na casa dela, e ela estava se arrumando pra ir a uma atividade extra-classe da escola, perguntou se eu não queria esperar até ela voltar, que nós poderíamos brincar depois. Eu disse que esperava e fiquei no quarto dela, brincando sozinha.
O pai dela estava com uma perna quebrada, ficamos só eu e ele em casa. Passada mais ou menos uma hora que eu já estava lá, ele me chamou e me pediu que pegasse o controle da tv para ele, que estava longe e ele não podia levantar. Eu era muito obediente e fui. Peguei o controle, liguei a tv e entreguei pra ele. Ele me puxou pra perto dele, começou a pegar em mim, nem posso chamar o que ele fez de me masturbar pq não faz sentido tentar estimular uma criança sexualmente. Depois ele deitou por cima de mim e ficou se esfregando no meu corpo. Eu só consegui tremer. Eu não fazia ideia do que ele estava fazendo, mas eu sabia que era mal e errado. Ele não chegou a me penetrar, apenas ficou se esfregando no meu corpo. Depois ele perguntou se eu queria que ele me levasse pra casa. Eu disse que ia sozinha. Fui andando, sozinha da casa dessa prima pra minha. Quando ela chegou, me ligou e perguntou o que havia acontecido, eu disse que não era nada. Em casa, eu chorei muito e por incrível que pareça, eu achava que eu podia estar grávida! Eu nem sabia como uma mulher engravidava, mas fiquei com medo de ter engravidado, com 6 anos, e não contei pros meus pais, com medo deles me culparem, brigarem comigo, deixarem de me amar. Eu bati muito na minha barriga, com medo, e pq a dor me fazia sentir bem – com 6 anos.
Essa mesma prima terminou o ensino médio, começou a apresentar sintomas de síndrome do pânico e ela se sentia melhor quando eu estava lá. Então eu acabei voltando a frequentar a casa dela, mas evitava a todo custo esse tio – o que mesmo assim não adiantou nada.
Outra vez estávamos eu e outro primo lá, e na hora de ir embora, esse tio disse que nos levava, os dois. como estava com outra criança, eu pensei que ele nao faria nada. Acabou que ele deixou o menino primeiro na casa dele, e começou a perguntar se eu gostava de cachorrinhos, se eu queria um dálmata, que ele ia me dar um dálmata. Eu disse que não queria, que só queria ir pra casa. Ele me levou para um lugar afastado, e esse dia foi um borrão. Eu acho que ele me penetrou, pq eu senti dores quando cheguei em casa e meu corpo ficou diferente. Eu tinha 7 anos.
Esse mesmo tio continuou a me violentar, uma vez na minha própria casa, quando não havia nenhum adulto por perto. Isso continuou até meus 12 anos, quando eu decidi cortar contato com ele e só ver meus primos quando eles fossem até a minha casa.
Parecia que ia ser só isso, até que minha mãe, quando eu tinha 15 anos, arranjou um namorado. Ele era “muito bonzinho” no começo, mas com pouco menos de um ano de namoro com ela começou a mostrar quem era: bebia e batia nela, vomitava a casa toda, quando estava sóbrio era violento com meus irmãos, mas era mais manso comigo o tempo todo. Dizia que eu podia contar com ele pro que eu precisasse, se eu precisasse de dinheiro podia pedir dele, se eu precisasse de qualquer ajuda qualquer coisa, podia pedir dele.
Ele foi morar na nossa casa. Um dia, na hora em que eu fui dormir, ele estava bebendo, e conversando com a minha mãe. eu estava de roupa de dormir e fui na cozinha, rapidinho, só tomar água. Eu vi como ele olhou pros meus peitos, debaixo do camisão que eu estava usando, mas era culpa minha estar sem sutiã na minha própria casa na hora de dormir. Ele me chamou, me deu um “abraço” e disse pra dormir bem.
Fui me deitar, e pouco tempo depois de dormir acordo com ele querendo deitar na minha cama. Eu mando ele embora, ele vai. Durmo de novo. Acordo com ele deitando na minha cama dizendo: – eu to cansado, só quero dormir. Eu mando embora de novo. Ele começa a passar a mão nos meus seios e na minha barriga, querendo descer e eu ameaço, chamar a minha mãe. Ele diz pra eu parar. Eu digo que vou gritar, por sorte minha mãe passa na porta do meu quarto e vê. Ele sai e eles brigam no quarto. Eu não consegui mais pregar os olhos naquela noite.
Minha mãe não o pôs pra fora de casa.
Eu contei pra ela o que tinha acontecido, chorando muito, e ela “terminou com ele”. Só que menos de um mês depois, ela começa a me mandar dormir na casa de amigas, e eu descubro que ela fazia isso pra poder levar ele lá para casa. Ela continuou o relacionamento com o homem que tentou me estuprar por mais 6 meses mais ou menos. Isso foi o suficiente para acabar com o resto da minha autoconfiança e com meu relacionamento com ela.
As vezes, pior do que a violência, é a falta de interesse de quem deveria ser o seu maior protetor.