Eu me sentia uma vagabunda – 304

Para quem ainda não entendeu, o relato a seguir mostra exatamente o que é a Cultura do Estupro –   304 –  “Resolvi contar meu caso porque acredito que acontece com muitas mulheres, infelizmente!  Era meu aniversario de 18 anos e dei uma festa em uma balada para todos os meus amigos, mais de 80 convidados, todos me parabenizando com bebidas alcoólicas, o resultado era o que se imagina fiquei completamente bêbada e inconsciente, era para eu ir para casa da minha melhor amiga que na época eu confiava muito, mas a garota me abandonou na festa mesmo sabendo que eu não estava em condições de me cuidar sozinha, quando um “amigo” se ofereceu para me levar para casa, lembro claramente dele me pegando no colo e me carregando até seu apartamento que era próximo do local da festa… Me lembro de pouca coisa após isso, acordei nua ao lado dele, lembro-me de virar a cabeça em sinal negativo, mas no estado em que estava isso não chegava a ser um não, não é? Estávamos em um colchão na sala da casa de meus amigos, havia mais gente em volta, meus amigos lá… Não sabia direito se eles tinham visto algo, ou se tinham entendido que eu não estava em meu estado normal para transar com um cara, eu estava menstruada e quando ele quis novamente usei isso como desculpa… Estava toda suja e o lugar onde dormimos também, não poderia ser mais constrangedor e assustador, a sensação de ter sido usada, eu me sentia uma vagabunda, era o termo que me dei naquele dia, a culpa era minha! Eu tinha bebido eu pedi por aquilo!  Demorou muito tempo para eu entender que o que aconteceu havia sido um estupro, muito mais tempo para eu contar para outra pessoa… Se dissesse para aqueles amigos que estavam ao meu lado aquele dia e viram aquilo sem dizer nada, talvez porque não achassem nada de mal ou porque estavam bêbados demais para ver que eu não estava em mim, se eu falasse para eles que aquilo foi errado, que foi um estupro, provavelmente sairia como ridícula, como falsa, ou sei lá mais o que… Porque a culpa foi minha… Eu bebi demais…”