Eu o encarei e ele não parou de filmar a menina dentro do ônibus – 2082

Estava na porta do fundo do ônibus esperando para descer no ponto seguinte quando percebi que um homem que estava sentado no ultimo acento do fundo filmava/fotografava a menina que estava na minha frente esperando pra descer também. Ele olhava para o corpo dela de forma extremamente repugnante, como se fosse um pedaço de carne, e achou uma ótima ideia gravar aquela imagem em seu celular. Como percebi que a vítima não tinha notado, fiquei sem saber que atitude tomar naquele momento, então resolvi olhar fixamente pra que ele percebesse que eu estava vendo. E ele percebeu, embora não tenha se sentido nem um pouco intimidado e continuado a fotografar. Pensei em armar um barraco quando vi aquela cena, mas acabei não fazendo nada por medo de ser agredida, já que o ônibus estava praticamente vazio e, além de mim e da moça, só havia ele ali. Ao descer do ônibus nós duas fomos para o mesmo lugar e então resolvi chamá-la para contar o que acabara de acontecer. Fizemos a única coisa que poderíamos no momento: compartilhar do mesmo mal estar causado por aquela atitude ofensiva, tanto a ela quanto a mim como mulher. Comentei com um grupo de amigos e foi assim que conheci o “cantadas de rua”, uma amiga sugeriu que compartilhasse o episódio aqui. Situações como essa acontecem também comigo e todas as outras mulheres todos os dias nos transportes públicos, nas ruas e até no trabalho. Não podemos nos deixar abater e devemos continuar demonstrando nossa indignação. Não devemos nos sentir culpadas por andar de shortinho quando está calor (como foi o caso da vítima) e muito menos nos privar da nossa liberdade de ir e vir! A culpa do assédio não é nossa e exigimos respeito acima de tudo! Obrigada pela iniciativa de criar este espaço e nos dar voz.