ficou nos olhando com cara nojenta; tirou um canivete – 608

608 – Quando eu tinha uns 18 anos, estava sentada no ponto de ônibus com uma amiga quando chegou um senhor idoso maltrapilho com uma expressão estranha no rosto, nos encarando. Estávamos conversando animadamente e resolvemos disfarçar e continuar conversando, mas alertando uma à outra com o olhar, e mantendo o sujeito no campo de visão o mais discretamente possível. Pelo jeito disfarçamos bem, porque o senhor já nos olhava com aquela cara nojenta e tirou um canivete, achando que não estávamos vendo. Peguei minha amiga pelo braço, ainda fingindo, e saímos dali. Tivemos que andar um bocado para despistá-lo e nos sentirmos seguras para pegar o ônibus em outro ponto, mas não lembro se ele chegou a nos seguir. Era fim de tarde, ainda estava claro e estávamos em uma rua principal do bairro, porém não muito movimentada. Imagino o que poderia ter acontecido se não estivéssemos juntas, se estivesse mais escuro, se ele tivesse sido mais sorrateiro… Por sorte não era muito esperto.