Gelei, mas não fiz nada, não falei nada. – 773

773 – “Eu estava no ponto de ônibus quando um táxi parou perto da calçada. Como o sinal da rua tinha ficado vermelho um pouco antes, não prestei atenção, e continuei atenta esperando meu ônibus. Foi quando eu comecei a ouvir um burburinho. De início, não liguei, já que não tenho uma audição muito boa e o barulho poderia ser de qualquer lugar. Mesmo assim, resolvi prestar atenção, mas sem me mover (bendita intuição). Era o motorista do táxi, oferecendo “uma carona para essa gracinha”

Gelei, mas não fiz nada, não falei nada. Ele continuou falando: “essa gracinha não pode ficar na rua tarde assim” (eram 7 da noite) “entra aqui que eu dou uma carona, benzinho” “você paga como quiser”. No momento em que eu já estava me sentindo sem alternativas para lidar com aquilo, o sinal ficou verde. Então, ouvi ele praguejando e o “piranha, eu só queria ajudar”, antes de acelerar e ficar longe de mim.Quando eu contei para o meu namorado o que tinha acontecido, ele riu, principalmente da parte do ‘você paga como quiser”, achando só patético que um homem possa achar que vai conseguir alguma coisa de uma mulher com essa abordagem “tosca”. Não encarei assim, já que, de minha parte, só lembrava do “piranha, eu só queria ajudar”. EU NEM TINHA OLHADO PARA ELE. Qual foi a ofensa que ele recebeu para sentir a necessidade de me xingar, ter uma carona recusada?