levantou, trancou a porta, tirou a roupa – 1139

1139 – Como quase todas, desde muito nova fui assediada, mesmo quando não tinha nenhum corpo de mulher, fui uma adolescente muito alta e magra e sempre sofri bullying na escola, por isso tinha a autoestima muito baixa e às vezes quando davam em cima de mim, ou os meninos da escola passavam a mão em mim, de uma maneira invertida eu me sentia mal com aquilo mas ao mesmo tempo gostava pois me sentia um pouco querida, e menos feia.

[TRIGGER WARNING – RELATO DE ESTUPRO]

Quando eu tinha 14 anos, “uma amiga” da quadra onde morava me chamou pra ir ao apartamento de um amigo dela, num prédio da quadra mesmo, dizendo que ele havia falado de mim, dito que eu era bonita; tinham outros amigos lá e mais uma amiga dela. Eu não conhecia ninguém lá pois havia me mudado a pouco tempo e me zoavam tanto na escola e lá tinha um menino que me achava bonita, fui na hora. Chegando lá, todos estavam sentados em volta de uma mesa cheia de bebidas, cigarros, estavam fumando maconha e eu nem sabia o que era, nunca tinha visto, a amiga da minha amiga começou a fazer carinho na cabeça de um menino, e logo o dono da casa se aproximou de mim, ele tinha 17 anos, e os amigos dele por volta disso também. Pedi água ele disse que não tinha, que só tinha vodka e eu inocente acreditei, eu já bebia um pouco, mas só uma bebida fraca, gaseificada chamada birinight que mais parece um refrigerante. Ele trouxe um copo enorme com vodka pura pra mim, e pra me enturmar fui tomando numa dificuldade tremenda. Nunca tive amigos de verdade na escola, lá era excluida, pensei que ia ser muito legal se eles virassem meus amigos, ainda mais um pessoal mais velho. Ele me perguntou “você já fumou maconha?” E eu disse não, e ele disse, “então vou te ensinar.” E fumei, e bebi. Sei que tinha que ter sido firme e não ter aceitado nada daquilo, não era eu, mas simplesmente não conseguia dizer não a ele, um cara tão bonito interessado em mim. Numa dada hora minha amiga que também era mais velha, tinha seus 17, sugeriu que fossemos todos pro quarto ver um filme, a essa altura já mal conseguia andar ou falar pela maconha e pela vodka. Chegando no quarto, disseram que só tinha esse filme (um filme pornô), e me perguntaram se tinha problema, eu disse que não, tentando não parecer chata, eu nunca tinha assistido um filme pornô. Quando o filme começou, ele começou a passar a mão na minha calcinha, eu estava de saia, por baixo da coberta, e rapidamente, na hora fiquei sem entender nada mas todos sairam do quarto deixando só nós dois. Ele levantou, trancou a porta, tirou a roupa, botou uma camisinha, eu fiquei sem reação pois nunca tinha visto um pênis na minha frente. Pensei meu Deus, vai ser agora, vou perder minha virgindade assim? Ele começou a tirar minha roupa e eu tão magrinha já não tinha força sóbria imagina naquele estado. Fiquei quase imóvel na cama, não falei nada, mal podia me mexer, não saiam palavras, ele transou comigo 2 vezes ali, não foi consentido, não foi nada carinhoso, simplesmente fez seu trabalho sujo. Não consigo me lembrar de tantos detalhes, mas sei bem o que aconteceu comigo, por toda a vida tentei apagar isso da minha memória. Depois disso ele contou a todos da quadra, minha “amiga” ajudou a espalhar, falavam horrores de mim e todo mundo sabia, fiquei com fama de puta, não queria mais descer pra brincar, não queria mais sair de casa, não quis mais tocar no assunto. Hoje mais velha, tenho certeza que eles já haviam combinado tudo previamente, com a ajuda da minha amiga, e entendi, fui estuprada. Mas como ele teve coragem? Eu era quase uma criança, eu era virgem, não foi justo. Hoje faço faculdade de direito e entendo ainda mais o que ocorreu, um estupro de vulnerável, que ocorre quando a vítima tem até 14 anos, mesmo se ela quiser, é estupro. Uma vez que comentei com uma amiga ouvi “mas você foi lá por que quis, deu porque quis, é claro que isso ia acontecer né”. Então não falo, não comento, já que as próprias mulheres vão dizer que a culpa foi minha, não quero ouvir isso, até hoje me machuca lembrar, tenho 23 anos.

[Comentário: Isso foi claramente um CRIME PREMEDITADO cometido por um grupo de pessoas que sabiam muito bem o que estavam fazendo. Se aproveitaram da fragilidade emocional, carência afetiva e necessidade de aprovação de uma menina para induzí-la e envolvê-la em uma situação que era uma armadilha muito bem montada. Depois ainda usaram da estratégia da difamação para coagir a vítima ao silêncio. (Pessoalmente fiquei muito mal lendo o relato.)]