Levei cinco anos para ver que meu namorado era psicopata -1417

1417 – Meu relato visa compartilhar com vocês uma situação que para mim demorou um bom tempo para se mostrar grave. Até hoje ainda me questiono se não estou exagerando. Sempre fui uma garota muito crítica e apegada a valores ligados à generosidade, à caridade, ao progresso moral pessoal. E é esse o problema de pessoas idealistas. Quando conhecemos alguém com um belo discurso, nós nos interessamos intensamente. Conheci esse rapaz em 2008 no trabalho. Como ele dizia muitas coisas legais com as quais eu concordava, acabamos nos envolvendo e aí é aquela coisa: no início a gente só mostra o que há de melhor e mais bonito em nós. Os espinhos a gente descobre depois. Passamo um ano juntos em perfeição. Os dois anos seguintes moramos em cidades diferentes… mas ele já começou a dar mostras de ser controlador e agressivo. Brigava por coisas do tipo eu não fazer comida pra ele, eu não limpar a casa dele quando eu ia lá. Uma vez, assim que ele alugou uma casa para ele, eu fui ajudar a pintar e limpar (detalhe que eu estava com o pé engessado). Devido a isso, demorei um dia inteiro para pintar o rodapé de metade do quarto. Quando ele chegou do trabalho tivemos a maior briga porque ele disse que eu era preguiçosa. Rimos da coisa depois, porque na minha cabeça era só um “lapso” nonsense dele. Tentava relevar e continuamos juntos por mais dois anos… quando realmente tudo começou a se mostrar mais claro. Ele era ciumento ao extremo, a ponto de enxergar coisas inexistentes. Entrava no meu Face e jurava que eu estava flertando com amigos… jurava que eu havia dito coisas para eles que eu nunca dissera. Jurava ter me visto dar um selinho no meu amigo, quando eu só havia dado um beijo na bochecha. Tinha rivalidade com meus amigos porque eles tinham carro e ele não… se sentia inferior e se aborrecia quando eles vinham me buscar em casa. Sempre usava o discurso “você nunca acharia um homem como eu que aceita esse tipo de coisa”. Certa vez, durante uma discussão na qual eu demonstrava não querer namorar/beijá-lo, ele me agarrou a força começou a chupar meus seios violentamente sem eu querer. Me debati até ele voltar à razão. Mesmo assim, toda vez que eu tentava tocar no assunto, dizendo que aquilo consistia em um estupro, ele fugia se sentindo ofendido, tentando me convencer que eu estava exagerando (detalhe que ele era estudante de direito e conhecia muito bem essa lei). Outra vez ele apelou para agressão física, chegando a deixar vergões nos meus braços durante uma briga na qual ele alegava que eu estava descontrolada e ele tinha medo que eu fizesse alguma besteira. Depois disso, tudo foi desmoronando. Ele mostrou que não tinha nada de compreensívo … as críticas que eu fazia a ele ou à religião que seguíamos (espiritismo) eram vistas por ele como “obsessão” (que na Doutrina Espírita significa que uma entidade está te influenciando). Uma vez eu estava explicando pra ele a complexidade social da questão do aborto, o que me fazia compreender as mulheres que optavam por isso e ele disse que eu estava defendendo o aborto e que eu era uma criminosa por conta disso, uma assassina. Muito cabeça fechada, machista, conservador, preconceituoso, homofóbico. Detalhe: o sonho dele até hoje é entrar na PM. E mesmo com tudo isso, eu achava que na base da conversa ele iria abrindo a mente aos pouquinhos e que tínhamos uma história tão linda e tal… fui tentando resolver, comecei a ignorar algumas coisas… Ele então, durante o último ano de namoro, entrou em uma fase de ameaças constantes de terminar. Chegou a terminar comigo duas vezes e eu fui atrás e resolvi. Até que ele terminou comigo “definitivamente” depois de uma briga que tivemos. Disse que eu estava diferente, que a minha entrada na universidade havia me tornado crítica demais. De fato, na universidade eu aprendi coisas novas, principalmente no âmbito sócio-político, o que me trouxe novos horizontes. Ele não aceitou. Okay. Direito dele. Sofri com o término, mas também me senti livre. Pela primeira vez depois de cinco anos podia postar o que eu realmente pensava no meu Facebook (antes ele criticava tudo o que eu dizia que não estava de acordo com a doutrina espírita da cabeça dele) comecei a sair com meus amigos sem o controle dele, me descobrir. E foi ótimo. Descobri que eu era muito dependente dele, mas que INdependente eu era muito melhor, mais segura e corajosa. Eu tinha pânico de sair na rua sozinha… descobri que estar com ele só me aprisionava ainda mais. Sem ele eu enfrentei meus medos e inseguranças. No entanto, mesmo ele próprio tendo terminado, e eu estando feliz sem ele, o cretino começou a vir atrás… Passou meu telefone para amigas como se fosse dele para elas me mandarem mensagens, na tentativa de me fazer ciúmes. Depois disse que “ah, eu estou tão acostumado com seu telefone, que automaticamente falo o seu ao invés do meu”. Começou a sondar amigos meus para saber sobre mim e ligou para mim dizendo que sentia nojo (por eu ter ficado com um amigo meu) e que nunca mais queria falar comigo. Eu disse “Ok”, mas ele continuou vindo atrás pedindo pra voltar. Eu até achei que dava para manter uma amizade, mas ele ficava tentando me controlar. Cada vez que eu dizia “não somos mais namorados!!” ele fazia um escândalo, tentava chamar atenção dizendo que tinha nojo de mim pelas coisas que eu pensava, se vitimando por eu ter ficado com outras pessoas depois de termos terminado. Após eu dar um ponto final definitivo e dizer que não ia mesmo voltar, ele me ameaçou, dizendo que contaria para minha família um segredo meu que só ele conhecia, que provavelmente faria minha família e eu brigarmos muito feio. Eu mandei para ele um trecho no Livro dos Espíritos (doutrina) que fala sobre vingança, na esperança de fazê-lo ater-se ao que ele próprio dizia tanto seguir. Deve ter funcionado, pois ele não contou. Ele ainda chegou a me atormentar mais duas vezes depois disso: a primeira vez foi mais uma tentativa de chamar atenção (meses depois do término quando eu inclusive já estava feliz namorando outra pessoa), vindo até minha casa trazer “meus pertences” (na verdade eram presentes que eu havia dado a ele durante os cinco anos, os quais ele ameaçava jogar no lixo caso eu não os aceitasse de volta). Eu já estava imune às agressões dele e simplesmente disse “Se quer jogar no lixo joga, é tudo seu”. Bati a porta do carro, virei as costas e ainda escutei um “Sua trouxa! Imbecil!” gritado no meio da rua. A última aparição dele foi uma tentativa de “estou muito bem sem você”. Foi um discurso por Whatsapp (ele se deu ao trabalho de usar outro número, já que eu havia bloqueado o que eu tinha) no qual ele alegava que fizera muito bem em terminar, que se tivéssemos nos mantido juntos seria “só sexo” porque nossos sentimentos não eram profundos. Me pareceu uma clara tentativa de me objetivar. Eu achei a oportunidade ótima para dizer umas verdades e calar a boca dele: disse com todas as letras que o sexo entre nós sempre fora fraquíssimo, que a única coisa que me manteve com ele tantos anos havia sido minha ingenuidade em acreditar que tínhamos uma ligação profunda em nossos ideais, mas que era só uma ilusão. Até hoje ele ainda vai atrás de amigos meus pedindo informações minhas. Mas eu tenho ignorado… só quero distância. É claro que aqui eu estou focando na parte ruim. Mas para eu ter ficado tanto tempo com ele, é porque ele realmente sabia ser bom, se mostrar compreensívo, amável e generoso. É assíduo em trabalhos voluntários, onde as pessoas acham que ele é um exemplo de ser humano. O que estou tentando mostrar é que até as pessoas que parecem ser mais perfeitas podem esconder um monstro dentro de si. Então pensem duas vezes antes de serem duros com mulheres que se casam com verdadeiros psicopatas, só descobrem depois de anos no que se meteram e finalmente decidem se libertar… algumas sequer conseguem. Existe uma complexidade enorme envolvendo a imagem que fazemos de alguém, o que ela realmente é e a nossa dificuldade para aceitar isso. Não é simples. Eu achava que eu era esperta demais para cair numa dessas e só agora é que estou entendendo que caí. Quando convivemos com alguém que amamos, nós vemos os erros, mesmo os mais graves, como coisas que podem ser resolvidas… a linha que separa nossa devoção e nossa percepção de perigo é sutil. Isso acontece com homens e mulheres, mas para mulheres os perigos são maiores pela ameaça física e pelo contexto social que tende a nos desmerecer. Espero que nenhuma de vocês passe por isso, mas se passarem, sejam firmes para se libertarem.