me convidaram pra subir no ônibus, dizendo o que pretendiam fazer comigo – 878

878 – “Eu NUNCA havia sido assediada na cidade em que trabalho. Já sofri assédio algumas (leia-se muitas) vezes na Região Metropolitana de Recife, onde moro, mas no interior, SEMPRE me sentia respeitada e até certo ponto “segura”. Até que, na última semana, decidi usar um vestido diferente. Ele é bem chamativo, mas me cobre até os pés, literalmente. Nem tem um decotão. Apenas contorna bem o corpo. Só isso.
Enquanto eu caminhava cerca de 1,5 km para chegar ao trabalho, passa por mim um ônibus repleto de trabalhadores de uma usina (algo relativo à cana-de-açúcar). Eles começaram a me assediar, me convidando pra subir no ônibus, dizendo o que pretendiam fazer comigo caso eu fosse lá. Pela primeira vez, como resposta em repúdio a tamanho desrespeito e machismo, ergui o dedo. E fiquei com ele erguido, durante alguns segundos. Tempo suficiente para que eles sentassem em seus lugares e colocassem os “rabos entre as pernas”.
Fiquei tão transtornada, que nem vi um outro carro se aproximando de mim. O motorista parou bem cima, quase me atropelou.
Ele, um homem com aproximadamente 40 anos, me disse, com aquela cara nojenta que todas nós conhecemos: “Meu amor, você é muito linda pra se machucar, tenha mais cuidado, pois uma boneca de porcelana como você não pode sequer se arranhar.”
Aí eu já tava de saco cheio, e por mais que ele quisesse “parecer educado”, eu já estava “órfã de paciência”. Não dava pra somente ligar o “foda-se”, eu precisava materializar isso em palavras. Mandei ele se lascar, ir à merda, ou fazer o que bem entendesse, mas que me deixasse em paz. Ele deu aquele risinho irônico e disse aos passageiros do veículos: É tão linda e tão estressadinha”. E eu gritei de volta: e o senhor, um canalha.
Passei o dia todo péssima, com um humor péssimo, e ainda tem gente que acha isso exagero.”