me deu um murro com as duas mãos no meio do meu peito – 926

926 – Vou contar sobre o dia em que eu fui agredida por um estudante de Medicina da USP.

Eu tinha 14 anos na época e ele 20 e poucos. Era um cara super inteligente, falava sobre feminismo na internet, se dizia mente aberta, antifascista… Saímos. Eu não quis ficar com ele. Ele ficou um pouco chateado, chegou a me dizer pela internet que me achava bonita e interessante e que estava realmente apaixonado por mim. Mas fomos embora pra casa, cada um pro seu canto. Perdemos contato por alguns anos, até quando eu completei 16 e retomamos a amizade, sem nenhum vínculo amoroso, como sempre foi. Eu tinha acabado de comprar uma câmera analógica e sabendo que ele também fotografava e gostava do assunto, o chamei pra passear e fotografar. Quando o convidei, deixei claro que era um passeio fotográfico entre amigos, então nós passamos em um shopping no Anhangabaú aqui em SP e a selvageria começou ali mesmo; ele tentava me agarrar, me beijar, inclusive me levou pra um canto sem saída e deserto no shopping, onde me encostou em uma parede e tentou me agarrar a força. Eu fiquei muito sem graça e com medo, não quis fazer escândalo mas fiquei apreensiva. Eu dizia que não, mas ele insistia. Na hora da despedida, na frente do shopping (que é uma avenida lotada), ele me abraçou e me forçou a olhar pra ele. Dizia “olha pra mim, por favor”, e eu não queria. Sabia que ia tentar roubar um beijo contra a minha vontade. Então aquele homem de 1,90m e 100kg que jogava rugby na faculdade me deu um murro com as duas mãos no meio do meu peito e me empurrou com força contra uma multidão de pessoas que passava por ali e gritou “então fica aí, menina”. Ele foi embora e me deixou ali sozinha, quase caída, assustada (ele surtou de repente, foi amedrontador. SÉRIO) sem saber o que falar, sem saber o que fazer, com as pessoas passando e olhando pra mim. Não sabia se chorava, se corria atrás e arrebentava ele, se gritava um palavrão… Então eu só fui embora também. Eu já achei o perfil novo dele no Facebook e acho graça nos posts feministas que ele escreve… Ha-ha.