me jogou contra a parede e me apalpou nos seios e na virilha – 614

614 – Eu estava indo para a escola a pé, num bairro residencial de classe média a 2km da minha casa. Apesar de ter +- 16 anos, facilmente passaria por menos, pois eu era muito magra. Só usava roupas largas e cabelo curto despenteado, nada sensual ou “provocativo” (bem entre aspas, lógico). Muito distraída, não percebi quando um homem se aproximou por trás. Eu me lembro de ver, praticamente em câmera lenta, um braço peludo me agarrar… Ainda pensei ingenuamente que se tratava de um professor querendo me pregar uma peça, porque – quem me abordaria daquele jeito na rua? Quem, no caso, era um motoqueiro tarado, que me jogou contra a parede e me apalpou nos seios e na virilha, dizendo: “Eu só quero passar a mão em você.”  Isso marcou minha adolescência, mais por causa da minha reação. Eu nunca havia experimentado insegurança na rua, especialmente perto de casa, porque gostava de me ver como forte e corajosa. Eu sempre reagia a qualquer tipo de provocação e tinha fama de durona. Mas não daquela vez. A surpresa foi tão grande que eu congelei, não consegui processar. Só “caiu a ficha” quando ele estava se afastando, e eu comecei a gritar e xingar ele de tudo que é nome e palavrão. Eu quis avançar na sua direção, fazer jus a minha fama, mas ele ergueu o capacete da moto me ameaçando e eu congelei novamente. Ele fugiu de moto e não consegui ver a placa. Eu procurei ajuda em volta e me aproximei de uma loja a um quarteirão, muito nervosa. Havia uma mulher na porta e eu contei a ela o que havia acontecido, ela simplesmente riu e comentou que havia ouvido meus xingamentos. Ela estava horrorizada, mas era com os meus xingamentos! Eu perguntei se ela conhecia o motoqueiro e ela disse que não e comentou algo me incentivando a deixar pra lá.  Eu sabia que aquilo estava errado e que eu tinha direito de ir a polícia, mas não fui. Em parte por ter medo de que fosse recebida como por aquela mulher, fiquei convencida de que não era tão importante. Em parte porque eu me odiava por não ter sido durona quando precisava. Hoje (7 anos depois) eu não penso mais assim. E eu sei que devia ter ido à polícia. A mãe de uma amiga, que mora muito próxima ao local, está sendo assediada por um motoqueiro que a persegue com “galanteios” e todo mundo acha uma gracinha a “devoção” dele a ela. Gostaria que minha amiga visse esse relato. Pode não ser o mesmo motoqueiro, mas é a mesma estrutura social que permite esse tipo de coisa…