me transformei de “princesinha do papai” em “vadiazinha” – 1186

1186 – O machismo está tão enraizado, que muitas vezes as pessoas agem de maneira machista e nem percebem, ou então acham que estão fazendo algo bom. Sempre tive uma relação ótima com meus pais. Meu pai sempre falava que tinha se tornado “a favor dos direitos das mulheres” depois que eu nasci, pois ele queria que eu fosse bem-educada e tivesse uma profissão que me permitisse independência.

Pois muito bem. Sempre estudei muito e era uma filha perfeita; meus pais me elogiavam todos os dias! Sempre fui muito quietinha, nunca pensei muito em namorar – até a pré-adolescência, era mais inocente do que uma criança pequena. Até que, aos 14 anos, durante uma viajem, dei meu primeiro beijo. Eu não conhecia o menino e nunca mais o vi. Naqueles dias de viagem em que eu fiquei sem meus pais, pude extravasar desejos que nem sabia que tinha.

Muito inocente, voltei para casa super feliz, me sentindo uma “moça crescida”, e contei tudo a meus pais. Minha mãe perdeu a fala. Meu pai se transformou: começou a brigar comigo, a me chamar de “puta” e “vagabunda”, a dizer que meu “nome estava sujo no mundo”. Da noite para o dia, me transformei de “princesinha do papai” em “vadiazinha”. Desculpem os termos de baixo calão, mas é isso mesmo. Eu me senti um lixo.

O machismo sexual é horrível. Atualmente, as mulheres podem estudar e trabalhar, mas ainda não podem expressar sua sexualidade. Naquele momento, enquanto meu pai brigava comigo, eu deixei de ser um ser humano, e minha inteligência, bondade, valores morais, toda a minha história de vida, foram jogados no lixo e eu me transformei apenas em uma “vadiazinha”.

Alguns dias sem falar comigo depois, meu pai me pediu desculpas e disse que tinha exagerado. Eu o perdoei, pois ele é meu pai e eu o amo. Depois disso, essa questão do meu primeiro beijo é um assunto proibido. Hoje, tenho 19 anos, sou virgem, nunca namorei e nunca mais beijei ninguém. Acho que nunca vou conseguir me permitir amar, pois sempre terei medo da reação da minha família, especialmente do meu pai. Eu me sinto muito velha, parece que a paixão, o amor, o sexo romântico (que é o que eu quero fazer) são coisas distantes, que nunca vão acontecer comigo. Espero um dia superar isso!