meu primo ficou agarrado na parede me olhando tomar banho – 846

846 – “Tenho um relato pra fazer que nunca contei pra ninguém e infelizmente até hoje penso nele, quase que diariamente.

O texto é um pouco longo, peço desculpas por isso.

Era véspera de Natal e minha família e eu estávamos na minha avó (que fica em outra cidade), todos os meus tios e parentes de longe também estavam lá, festejando e matando as saudades.
Eu devia ter entre 14 e 15 anos, estava começando a desenvolver o corpo.
Lá estava um primo meu, que deveria ter uns 23 anos, que normalmente eu via uma ou duas vezes ao ano. A mãe dele era uma pessoa complicada, normalmente as festas de família acabavam em brigar por motivos fúteis por causa da grosseria e nervosismo dela. Poucas vezes meu pai pode curtir a família dele quando ela estava presente, pois sempre acabava em baixaria.

Desde o momento em que cheguei percebi que esse primo ficava me cercando, querendo sempre me acompanhar no que estava fazendo, me lembro dele ter deitado no meu colo para ver tv e de eu estranhar toda essa situação, como morávamos longe, não tinhamos intimidade, mas, até então, achei que ele estivesse justamente buscando isso. Nossos pais, inclusive, comentaram algumas vezes que estavam felizes com a nossa aproximação.
Eu já estava bastante incomodada, tentando fugir dele e ele sempre fazendo carinho em mim e me convidando a todo momento para ir de carro com ele tomar sorvete ou no supermercado.. meu Deus, eu penso até hoje o que poderia ter acontecido se eu tivesse entrado naquele carro! Eu sempre recusava e nossos pais brigavam comigo por isso.

Ao entardecer eu fui tomar banho para a ceia de Natal, usei o banheiro de fora porque o de dentro estava ocupado, durante o banho enquanto estava de olhos fechados lavando o cabelo eu tive uma sensação estranha, olhei para o vitrô, e meu primo estava pendurado na parede (minha vó mora numa casa bastante antiga, que tem porão, esse banheiro fica numa espécie de área elevada, em cima do porão) meu primo andou na muretinha da área e ficou agarrado na parede me olhando tomar banho. Quando eu entendi o que estava acontecendo senti um calafrio e fiquei apavorada. Desliguei o chuveiro imediatamente, me enrolei na toalha e comecei a gritar minha mãe, gritar e gritar. Ela apareceu lá apavorada e eu não tive coragem de contar… ele já havia descido da mureta e tbm veio ao meu encontro perguntando o que estava acontecendo… eu disse que tinha ficado presa no banheiro.
Não consegui contar.

Minha noite de Natal acabou ali… eu sentia medo o tempo todo, fiquei grudada na minha mãe. E ele agora me olhava com aquela cara nojenta, como se eu tivesse gostando ou como se eu não tivesse contado pra proteger ele, sei lá.

No dia seguinte, eu nem queria acordar, fiquei enrolando na cama conversando com minha irmã, como a casa estava cheia de gente, minha família toda dormiu num quarto só, com colchões no chão. Imagino eu que ele viu meus pais lá fora e achou que eu estivesse sozinha no quarto e foi até lá, abriu a porta sem bater e ficou com uma cara de surpreso quando viu minha irmã lá aí disse “Só vim dar bom dia” ou qualquer coisa desse tipo.. Quando ele saiu, minha irmã ainda comentou que achou a atitude dele estranha, afinal poderíamos estar nos trocando ou dormindo.

Eu nunca comentei isso com ninguém. Foi a pior viagem e noite de Natal da minha vida. Hoje em dia quando nos encontramos eu faço questão de ser o mais antipática possível e ele nunca mais teve uma atitude desse tipo.

Hoje, com a cabeça que tenho, teria feito tudo diferente. Teria gritado mais, dito a verdade e feito ele passar vergonha perante toda a família dele! Se a mãe dele gosta tanto de fazer um barraco, dessa vez teria motivos pra isso. “