Não foi um assédio de rua. É uma história que sempre acontece em casa – 767

767 – “Olá. Estou escrevendo este texto agora, chorando e muito, muito, muito triste. Não, não foi um assédio de rua. É uma história que sempre acontece em casa.

Meu pai é nordestino, extremamente conservador no que se refere ao tratamento da mulher.
Essa semana tive que ouvir meu pai dizer que nunca mais pisaria na casa de Fulano porque a mulher tomava conta dos negócios dele. Chamou de “corno” e disse que um cara desse não merece atenção de ninguém.
Outro dia, no telefone, “brincando” com um amigo, chamou sua esposa de “safadinha” (em tom de deboche) porque colocou silicone e que logo, por isso, estaria o traindo e ATÉ se prostituindo.
Mas hoje foi a gota d’água. Não entendi o porque, mas meu pai disse pra minha mãe que até entende porque mulher apanha. “Tem mulher muito rebelde, tem que apanhar pra aprender”. Sei que foi uma “brincadeira” (entre aspas, porque toda brincadeira tem um fundo de verdade) e que meu pai NUNCA bateria (e nunca bateu, quero deixar claro) na minha mãe ou em mim.
Mas quando ouvi isso, não aguentei, tomei a conversa e disse em tom de deboche “BONITO, BONITO! QUE DISCURSO MARAVILHOSO!”. E aí começou a briga. Meu pai sabe que eu não sou o tipo de mulher que fica calada, como feminista que sou. Mesmo sabendo disso, falou que mulher que tem que se colocar no seu lugar e que logo logo, do jeito que eu sou, eu acabaria apanhando de namorado. No momento, eu me segurei, mas depois, desabei.
Como pode o meu próprio PAI defender essa violência contra as mulheres, até mesmo dizer que EU mereço apanhar de homem?!
Estou desesperada, amo meu pai incondicionalmente, mas não posso mais suportar esse machismo extremo e muito violento em seu discurso. Obrigada pelo espaço para desabafo.”