NÃO GOSTO DE SER ASSEDIADA E CONSTRANGIDA TODOS OS DIAS – 585

585 – É muito bom saber que tantas outras mulheres se incomodam com as “cantadas” recebidas no dia a dia, não me sinto tão só. Ter que passar por isso é humilhante, nojento, constrangedor e sem dúvida é uma forma de assédio. Não se tem liberdade para andar na rua tranquilamente, pois logo vem um cara pra te encher o saco. E sabe o que é pior ainda? É que quando você comenta com algumas pessoas sobre o fato de não gostar de receber cantadas, elas pensam que você tá se achando a mulher mais gostosa do mundo ou então “é mal comida”. PORRA, NÃO POSSO SIMPLESMENTE NÃO GOSTAR DE SER ASSEDIADA E CONSTRANGIDA TODOS OS DIAS?  Não me declaro como feminista (e acho que aqui posso criar um pouco de polêmica), porque acredito que não adianta gritar “Você tem que me respeitar porque sou mulher!”, mas sim “VOCÊ TEM QUE ME RESPEITAR PORQUE EU SOU IGUAL A VOCÊ!”. (Não conheço muito o movimento feminista e por isso posso estar falando bobagem, mas penso na possibilidade de um movimento não feminista, mas sim “humanista”, que abarque todas as minorias. Só uma observação). [Comentário da administradora – Feminismo é luta para que as mulheres tenham os mesmos direitos, dignidade e respeito que os homens já tem. Você é feminista e não sabe. :p ] Não entendo tanta falta de respeito com um ser que não é inferior nem superior, é simplesmente igual. PORQUE MEXER COM UMA MULHER NA RUA????? Essa é uma questão que não consigo entender. O cara “canta” mas não vai lá conhecer ela, ele simplesmente desfere um “Oi linda!” e sai andando. Ou então motoristas de ônibus/carro/moto que buzinam ou piscam o farol pra você olhar na direção deles. PRA QUE FAZER ISSO??? Penso que há algumas possibilidades, como o cara querer mesmo constranger a moça ou ele se sentir mais “macho”, porque “todos os homens fazem isso, é da sua natureza”. Esses são os “menos piores”, porque há aqueles que dizem coisas chulas e agressivas, mas todos os tipos pra mim são nojentos. Falam “Bom dia, linda” mas olham pra sua bunda quando você passa.  Um colega de trabalho do meu namorado é um desses típicos caras que mexe com qualquer mulher na rua. Esses babacas que todas nós conhecemos. Segundo o tal, ele mexe com as mulheres porque “elas gostam, viram pra trás e dão um sorrisinho”. E com isso quero chegar no seguinte ponto: MULHERES, DEFENDAM-SE! Há realmente mulheres que gostam desse tipo de grosseria, mas se você não gosta, EXPRESSE isso. Claro que nem sempre dá pra xingar eles, eu pelo menos morro de medo de me baterem ou ate mesmo estuprarem, mas é importante ter algum tipo de reação. Expressando esse sentimento nas redes sociais ou mesmo em uma roda de amigos, é possível que a notícia de que “MUITAS mulheres não gostam de ser cantadas” possa se espalhar e chegar até o ouvido dos babacas.  De tanto cara nojento me enchendo o saco, comecei a tomar algumas medidas preventivas:  1) Tento passar uma postura “agressiva” sempre que tenho que passar perto de homens (adolescentes, jovens ou velhos, bonitos, feios, ricos ou pobres), como fechar a cara e a mão (Percebi que as cantadas diminuíram bastante, mas não os olhares. Talvez porque eles ficam curiosos pra saber porque estou com uma expressão de ódio =P). 2) Evito sentar ao lado de homens nos ônibus. 3) Saio da calçada ou vou para o meio da rua para não ter que passar perto de um cara. Também ando rápido em qualquer rua que tenha que passar. 4) Já xinguei algumas vezes, mas pouquíssimas, porque tenho medo. 5) Ando com um canivete que meu namorado me deu pro caso de algum cara tentar alguma violência sexual.  Parece bastante exagerado e não estou recomendando ninguém a fazer isso, mas de tanto ficar revoltada com essa situação, aos poucos fui tomando essas atitudes. É simplesmente um desabafo. Sou obrigada a mudar meu comportamento porque os assediadores não mudam os deles. Não esperem isso da parte desses babacas, façam a parte de vocês, mulheres, e expressem o sua indignação com as cantadas.  Pra não perder o propósito da pagina com este depoimento enorme, conto um caso que aconteceu hoje (23/05) agora há pouco. Estava indo para o ponto de ônibus no centro da minha cidade, que é um lugar muito movimentado e perigoso. Como sempre, andava rápido para não me tornar uma vítima de assaltantes ou das cantadas de caras nojentos. Avistei dois caras vindo na direção oposta à minha e, também como sempre, fechei a cara e a mão. As pessoas pensam que esse tipo de coisa é paranoia, mas não é que um desses caras gritou, com uma voz zombeteira, “Oi amoooor”. AMOR É O CARALHO! Eu por acaso te conheço? Qual a necessidade de me constranger na frente de tantas pessoas também desconhecidas? Tomei coragem e mostrei o dedo do meio, sem virar o olhar pra ele. Qual foi a resposta? Risadas. Provavelmente os dois amigos irão zombar de mim o dia inteiro pela minha atitude, ao invés de se sentirem envergonhados. Quem saiu envergonhada fui eu. Não me detive, continuei a andar rapidamente, mas fiquei tão nervosa que minhas pernas começaram a tremer e uma hora achei que iria cair (quem já sentiu isso sabe o quanto é horrível). Foi uma mistura de sensações, entre orgulho por ter tomado essa atitude, vergonha pelo constrangimento e ódio, muito ódio, por ser assediada. Consegui me recuperar e fiquei pensando no caminho em mandar esse desabafo pra vocês.  Repito: mulheres, demonstrem o seu desconforto com essas situações. A curto prazo pode não surtir efeito, mas quem sabe a longo prazo? Ninguém deve ser privado de andar normalmente nas ruas ou sempre se sentir constrangida com isso por causa de tantos babacas.