Não se pode mais sorrir… – 743

743 – “Ontem eu estava esperando meu namorado num supermercado aqui da minha cidade. Estava carrancuda encostada numa placa, aquela cara feia que a gente faz pra auto-defesa, nenhum idiota vir falar com a gente. Ninguém me encheu o saco. Quando eu vi ele entrando, fiquei toda feliz e abri um sorrisão. Pra que: foi nos dez segundos entre eu abrir o sorriso e ele chegar até mim que passou um cara escroto a centímetros do meu rosto e falou um daqueles “oi” bem nojentos, com um sorriso mais nojento ainda. Na hora minha expressão mudou e eu voltei a ficar carrancuda. Tava tão viajando ali, com a imagem de quem eu gosto, feliz, sorridente, que nem esperava uma escrotice dessas, nem deu tempo de tentar entender e sequer responder. É só termos alguns segundos de “fragilidade”, de abertura, que aparece um otário vindo do nada pra encher o saco. Sempre tem um. Em qualquer lugar. Na rua, no ônibus, no supermercado, na balada. Se você está sorrindo, é porque é pra algum macho vir encher o seu saco. Inferno isso.”