“Não tenho obrigação de ser educada com gente escrota!!” – 1063

1063 – Oi moçxs, vim contar pra vocês um caso do qual muito me orgulho e que aconteceu hoje mesmo.

Eu e uma amiga fomos à uma sorveteria na região onde moramos e que frequentamos há anos. A tal sorveteria fica localizada de forma que os carros que param no sinal têm total visibilidade do interior do estabelecimento.

Tendo isso em vista, o meu relato se inicia comigo e a minha amiga tomando o nosso sorvete tranquilamente. Ambas estávamos de short e camiseta por que, afinal, está um calor do inferno e não somos obrigadas a passar calor.
Nisso, um caro parou no sinal e haviam dois homens dentro do carro. Como eu estava sentada de frente para a rua, pude ver claramente o motorista me encarar. Primeiro eu relevei pois achei que o infeliz apenas observava a sorveteria e não a mim especificamente. No entanto, ele virou para o homem ao seu lado, fez algum comentário e passou a me encarar fixamente juntamente com o seu companheiro. Encarei-os de volta, revoltada, de cara fechada. Sempre odiei ser encarada como se eu fosse um pedaço de carne. Mas ao invés de constranger-se com o meu olhar, o motorista achou que tinha o direito de se dirigir a mim. “Nossa, você é bunita demais!”, ele disse. Me enchendo de ódio, eu apenas levantei dignamente o meu dedo médio em resposta. O infeliz, achando-se no direito de ficar revoltado, me respondeu “Nossa, mas que falta de educação!!”, ao que eu respondi “Falta de educação é você, eu tenho idade pra ser sua filha, idiota!!”. Ele disse “Tão bunita, pena que é mal educada!” e eu ainda respondi “Não tenho obrigação de ser educada com gente escrota que nem você!!” e passei a ignorá-lo até que o sinal abriu e o ser nojento arrancou com o carro.

Preciso confessar que estou orgulhosa de mim mesma pois nunca havia reagido a um assédio antes. Sempre ignorava, desviava o olhar, fingia que não era comigo. Preciso agradecer muito à página, pois foi com a ajuda de vocês e do feminismo que eu pude me empoderar e me convencer de que assédio não é natural e que eu não sou obrigada a engolir tudo isso calada!!

Ainda não sei se sempre terei a mesma coragem que tive hoje. Não sei se estou em posição encorajar a todas que reajam pois eu estava em segurança, dentro de um estabelecimento, numa rua muito movimentada e perto da minha casa. O que eu posso fazer é encorajar a reagir sempre que se sentirem seguras.

No entanto, apenas por essa vez, foi muito bom poder esfregar na cara do patriarcado que eu sou livre!