NEM NA SUÉCIA ESCAPAMOS DO MACHISMO – 809/810

809 – “NEM NA SUÉCIA ESCAPAMOS DO MACHISMO.
Eu acabei de me mudar p Suécia, e como aqui é considerado o mais próximo de uma sociedade feminista, eu estava feliz achando que tinha me livrado de certas coisas. Estou num hostel até achar uma casa aqui, e em hostel as pessoas costumam interagir umas com as outras.
Ontem um velho de uns 80 anos veio falar comigo, aí respondi, como respondo a todos. Ele disse algo em sueco, e apesar de eu entender um pouco, eu não falo, e respondi em inglês q eu não sabia sueco (quase todos aqui falam inglês fluente), ele me mediu da cabeça aos pés, num olhar nojento e fazendo cara de quem não acreditava (eu sou loira de olhos claros e por isso algumas pessoas acham que sou daqui), e insistiu em falar comigo (em sueco). Eu já me irritei c a olhada nojenta e respondi, já mais seca q eu não entendia sueco. Não contente, umas 2 horas depois ele voltou e foi a mais coisa, ele tentando falar em um idioma q eu não entendo e eu respondendo curta e grossamente “I DON’T SPEAK SWEDISH!!!”. Hj de manhã a msm coisa, 8 h da manhã e ele JÁ me enchendo e eu respondendo cada vez mais grossa (engraçado q tem vários suecos aqui e ele não tentou falar com mais ninguém além de mim). Meia hora depois ele apareceu DE NOVO e eu respondi mal olhando na cara dele, e nisso ele me deu uns tapinhas nas costas, dando uma risadinha do tipo “eu te perdôo por não me tratar com mais educação”. Eu fiquei muito revoltada, porque se aqui no Brasil eu já considero isso um absurdo, vindo de um tarado idiota q eu nem conheço, aqui é muito mais ofensivo, porque as pessoas aqui precisam de muita intimidade ppara sair tocando umas nas outras. Eu queria dar um soco nele, mas fiquei muito em choque. Saí durante o dia, e à noite quando voltei fui pro computador daqui procurar casa pelos sites da imobiliária. De repente senti uma coisa ruim, olhei para trás e o velho stalker estava que nem um 2 de paus parado me olhando com aquele olhar nojento. Geralmente eu sempre reajo, quando essas coisas me acontecem na rua ou em balada, mas aqui, sozinha ainda por cima, eu não estou conseguindo ter muita reação. Fiz uma cara de nojo, virei as costas e voltei pro computador. Mais tarde, eu ainda no computador, meu celular tocou, quando eu atendi o velho passou, e já estava abrindo a boca pra vir me encher, aí ele viu que eu estava no telefone, fez uma cara de ofendido e saiu andando. Pensei em rodar a baiana nessa hora, mas eu estava com minha mãe no celular e não quero que ela saiba disso e fique preocupada comigo.
Agora eu sei que se ele vier de novo eu vou armar um escândalo, mas estou com um pouco de medo, por estar sozinha aqui, e também porque os funcionários do hostel só ficam aqui de dia. Pensei em pedir ajuda para eles explicando o caso. O povo daqui no geral respeita muito as mulheres e eu acho que eles não iriam minmizar a situação. Mas o quê eu digo a eles? O que eu poderia fazer para me proteger, já q nem tacar a boca no velho eu posso, porque ele não entende inglês? Qualquer idéia que possa me ajudar é bem vinda!!
810 – “Continuação da história da Suécia.
Hoje quando eu acordei eu já estava decidida a ir falar com alguém aqui. Aí entrei na pág para ver as sugestões e fiquei mais decidida ainda, (aliás, obrigada pelas idéias!).
Mas como era muito cedo e o pessoal começa a tabalhar às 9, eu resolvi tomar café da manhã antes e fazer outras coisas que eram urgentes, mas que não tomariam muito tempo.
Já no café da manhã me irritei, pois eu estava de boa comendo, tinha muitas cadeiras vazias e o fdp veio sentar bem na minha frente!!! Como eu estava terminando já levantei e deixei ele no ar, pois precisava resolver os outros problemas. Fui e resolvi, e enquanto eu pensava no que falar para menino da recepção eu fui até a cozinha tomar um copo d’água, quando eu olho, o velho me perseguiu e já estava que nem uma assombração atrás de mim. Quando eu vi, levei um susto e ele disse com aquele sorriso nojento “God morgon” (bom dia em sueco). Eu virei as costas e fui direto à recepção.
O problema é que na hora eu estava com tanta raiva que fiquei nervosa e mal conseguia falar. Mas falei! Disse que ele estava me incomodando, perseguindo, me olhando de fora invasiva (eu disse que “ele me olha como um cachorro olha um pedaço de carne”), e que essa insistência e a mania dele de chegar de fininho e ficar me urubuzando estava me fazendo sentir assediada e me assustando, pois à noite ficamos sem funcionários aqui e eu sempre precisava ficar no corredor para usar o computador.
Ele foi super solícito. Ele disse que o velho está gagá e sempre queria “socializar” com o povo, mas que comigo ele entendia que passava dos limites e que a coisa era a nível de assédio, e que ele iria tomar uma providência e falar com o velho nojento, e também me pediu desculpas por eu ter passado por isso. Enfim, o velho sumiu daqui. Não o vi mais hoje, não sei se foi por providência da gerência ou por coincidência, mas o que eu queria realmente dizer a todas aqui, é que denunciem sempre! Eu me senti muito melhor e mais leve depois disso. Ninguém tem o direito de nos faltar com respeito, de invadir nosso espaço, de ficar nessa insistência chata, de nos pôr medo ou nos constranger. As pessoas aqui disseram que eu tive muito azar, porque isso é extremamente raro aqui, mas mesmo assim, ainda acontece e sempre que acontecer, independente da situação eu não vou me calar. O errado é ele e quem tem que ter vergonha nessa história é ele!!!
Estou feliz, não me sinto suja, ou com medo, ou com qualquer outro sentimento ruim, tenho plena consciência que ele é um idiota e que nada em mim provocou isso nele, mas ainda assim é ruim essa sensação de que esse tipo de coisa provavelmente vai acontecer outras vezes”