Ninguém estava preocupado com a minha saúde – 786

786 – “Já mandei para cá um relato de abuso (na noite em que o sofri, relato 564 – https://www.facebook.com/CantadaDeRua/posts/266395190172002), mas após ler o caso 785 aonde há um desabafo sobre aparência decidi desabafar e contar como a sociedade vê diferente pessoas que eles taxam de “gorda” e as que taxam de “gordinha”.

Sempre fui gorda. Desde pequena. E meu corpo era um assunto do qual eu tinha E-X-T-R-E-M-A vergonha de falar ou pensar. Sabe, só se entende o absurdo que tornam a vida de uma mulher gorda (sim, porque homem gordo ninguém está nem aí) quando você está na pele dela. Até na creche uma vez, com cinco anos de idade, ouvi a mãe de um aluno rir dizendo que eu ia quebrar o brinquedo de ferro. Bom, nunca emagreci. Desnecessário dizer o quanto eu ouvia sobre saúde, mesmo todos sabendo que eu não tenho sequer UM problema por causa do meu peso. “Como ela é gorda, que dó. Tão nova.”
Com mais ou menos 17 anos eu comecei a me arrumar ao máximo que eu podia, talvez por passar muitos anos chorando quando via um espelho ou pela ansiedade em ser aceita. Com o cabelo alisado, MUITA maquiagem e roupas que escondiam/disfarçavam meu corpo percebi, fui promovida para “gordinha” sem ter perdido um grama. Ninguém mais me fala sobre não conseguir namorado, sobre ficar doente, sobre ataque cardíaco, nada.
Hoje, feminista, me aceitei. Juro, pensei que jamais conseguiria. A verdade, é que ninguém estava preocupado com a minha saúde. Só com a minha aparência fora dos padrões.”