no estacionamento do hospital, apalpou a minha bunda! -1135

1135 – Desde muito nova eu aprendi a andar na rua ignorando tudo à minha volta. Sempre foi mais fácil assim, pois perdi mais da metade das barbaridades que me falaram enquanto estava sozinha. Em algumas situações, é claro, é mais difícil ignorar: uma vez estava esperando ônibus no ponto, e um cara veio sei la de onde e parou na minha frente mandando beijos. Quando o vi, saí de lá, virei a cara, mas fiquei tão enojada que não consegui nem pensar em reagir.

Mas enfim, não é esse caso que vim contar aqui. Me lembrei desse episódio recentemente, mas acho que tinha apagado da cabeça de propósito.

Em 2011 meu pai sofreu um acidente bastante sério, e ficou no hospital por uns seis meses. Eu ia visitá-lo praticamente todos os dias.

Era de tarde ou perto da hora do almoço, não me lembro bem, mas estava de dia. Não sei o que eu vestia, mas muito provavelmente era meu “uniforme padrão” – jeans e regata. (não que fosse justificável se estivesse de noite e eu estivesse vestindo qualquer outra coisa…). Entrei no hospital pelo estacionamento, que é aberto e tem passagem para pedestres. Vejo dois caras vindo sentido contrário. Quando passam por mim, um deles aproveita para apalpar minha bunda. Geralmente não reajo aos assédios, mas respondi por reflexo, de maneira totalmente irracional. Lembro somente de virar enfurecida, com o dedo do meio em riste e gritando “isso é um hospital!!! Nem no hospital vocês tem respeito?? Vai tomar no cu!”. Fiquei parada olhando pra eles enquanto eles se afastavam, e me lembro da cara um deles, virando já mais longe de mim, quase fora da área do hospital, e gritando de volta que eu era louca.

Lembro também de fumar uns 3 cigarros antes de entrar para ver meu pai, num misto de raiva e nojo, tentando controlar o quanto eu tremia para que ele não me visse daquele jeito.

Nunca mais perdi o controle dessa forma, mas também nunca mais aconteceu algo tão invasivo quanto.