No papel estava escrito “Rua Bucetinha gostosa, 69” – 1168

1168 – Eu tinha 9 anos, fazia catequese na igreja do bairro de manhãzinha, então voltava umas 8:00 pra casa. Numa rua próxima, tinha um matagal que eu precisava passar em frente. Eu estava sozinha, meus pais não se preocupavam, porque o bairro sempre foi tranquilo. Passando em frente a esse matagal, um homem na faixa dos 30 anos chegou em mim perguntando se eu sabia onde ficava um endereço ali no bairro. Ele me apontou um papel e disse que não sabia ler, que era pra eu ler alto pra ele. No papel estava escrito “Rua Bucetinha gostosa, 69”. Eu nunca segui o estereótipo de menina comportadinha, então, nessa idade, já sabia o que o palavrão significava. Eu congelei de medo. Disse pra ele que a rua não existia. Ele insistiu várias vezes pra eu ler. Eu só dizia que a rua não existia e, assim que passou outra pessoa na rua, dei um jeito de correr até em casa. Contei pra minha mãe que brigou muito comigo, dizendo que a culpa era minha, que eu devia ter feito alguma coisa pro cara vir justamente falar comigo, etc. Fiquei muito magoada, não conseguia comentar isso com ninguém até bem pouco tempo (isso já faz uns 15 anos que aconteceu), mas nunca esqueci a cara do infeliz. Lembro a roupa que ele vestia, e até hoje se vejo um casaco igual ao dele tenho um mal-estar. Mas, pelo menos, minha mãe ligou pra mãe de todas as coleguinha e avisou que tinha um tarado a solta, então me sinto um pouco menos mal (ainda me cobro não ter tomado uma atitude na época, denunciado, sei lá. O racional diz que eu não poderia fazer muita coisa, mas o emocional tenta me punir assim mesmo).