Nunca tive coragem de contar isso para ninguém – 771

771 – “Primeiramente gostaria de parabenizar o autor dessa página.
Ver tantos e tantos relatos, a maioria de jovens que nunca antes haviam compartilhado seus sentimentos, desabafado e lido histórias parecidas com as suas, mostrando que nós mulheres não somos as culpadas por tudo isso… na verdade é um ato político, uma página de serviço público…
São inúmeros os casos de violência que sofremos, todos os dias… um olhar, um sorriso malicioso, uma passada de mão, uma frase ofensiva…
Me lembro de alguns casos que aconteceram comigo e me marcaram..
Uma vez…com 17 anos eu estava em um ponto de ônibus, ao meio dia, indo visitar meu tio no hospital… e um velho nojento chega perto de mim, bem perto… diz que eu sou muito bonita, que ele é fotógrafo da Nova (ou alguma daquelas revistas com mulheres bonitas na capa)… ele estava com uma revista dessas nas mãos… e uma bolsa de máquina fotográfica… (óbvio que ele não era fotógrafo coisa nenhuma! que esse era o método dele de conseguir garotas inocentes…) então eu tentei sair de perto dele… meu ônibus chegou… e ele me agarrou pelo braço e tentou me puxar para ir junto com ele. Por sorte tinha um moço no ponto de ônibus que conseguiu me soltar daquele homem imundo e me colocar dentro do ônibus!
Em um Carnaval… estava com meus irmãos… eles estavam andando na minha frente… veio um cara chegando em mim, MUITO bebado… ao que desviei dele, fui empurrada, quase caindo no chão… então ele e seus amigos me xingaram de vários nomes… e falaram que eu era feia… naquela época me envergonhei muito e não contei nada para meus irmãos… que não viram o que tinha acontecido…
Agora a vez que mais me envergonho… foi dentro de um ônibus…ele estava lotado e eu sentia que estavam passando a mão em mim… olhava para trás… mas não tinha o que fazer… estava realmente lotado, minha mochila era grande, era o aperto… não era intencional… como tantos outros dias de ônibus lotado.
Depois fui perceber que quem tinha feito isso era um homem mais velho, nojento, com a camisa aberta… que tinha ficado passando a mão no meio das minhas pernas…
Quando percebi me senti tão humilhada, nunca tive coragem de contar isso para ninguém…
eu não reagi na hora! parecia que eu havia consentido aquele comportamento…
Todos os outros dias que esse homem entrava no ônibus eu me escondia por trás dos bancos e abaixava a cabeça envergonhada…
Agradeço ao criador da página de poder compartilhar essa história… e poder ler tantos outros relatos de violência contra nós mulheres! obrigada mesmo…”