o carro passa por mim de novo, o cara gritando “VAGABUNDA” um milhão de vezes – 945

945 – “Eu não sei por onde começar a escrever sobre isso. É uma sensação tão ruim que eu não sei como explicar.
Hoje eu estava indo para o Shopping Iguatemi (Florianópolis), onde eu tinha uma entrevista de emprego. Eu estava quase no fim daquela primeira parte da Av. Madre Benvenuta (ali na frente da Wizard) quando eu ouvi alguém gritando e notei que um homem olhava pra mim com a cabeça pra fora do carro. Como estava com fone de ouvido, não entendia nada. Mas ele ria, falava alto e fazia gracinha.
O carro foi obrigado a parar no sinal e eu andei mais rápido pra aproveitar e pegar a placa do carro, sem dar bandeira de que estava fazendo isso. Ele notou que eu estava alcançando o carro e começou novamente a falar merda, mandar beijinho, etc. Falei “eu peguei a placa”, ele continuou e eu, com toda a educação do mundo, mostrei o dedo do meio. Xingar o cara que estava no banco do carona em um carro cheio de gente eu não ia. Ir correndo pra dar um soco também não. Demonstrei daquele jeito ali a minha raiva. Me arrependi.
Esse senhor, muito do escroto, começou a gritar “VAGABUNDA” com a cabeça pra fora do carro. Pra quem quisesse ouvir. Nisso o farol abriu, ele continuou gritando, eu atravessei a primeira parte daquela rua na frente do Iguatemi, o carro dele deu aquela volta pra passar por mim de novo e o cara se esgoelando ainda, gritando “VAGABUNDA” um milhão de vezes. A minha surpresa nisso tudo foi notar que uma mulher dirigia o carro, e ela ria pra mim, achando aquilo tudo muito engraçado, como quem diz “kkkkk esse cara é mto comédia”.
Você vem me dizer que as mulheres já conquistaram o seu lugar no mundo e que brigar por cantada na rua é besteira.
Você pode me dizer que eu sou culpada, pq eu provoquei mostrando o dedo do meio.
Eu só quero dizer que essa não foi a pior coisa que eu já passei por ser mulher, e que não é pq eu me calei antes por medo que eu vou me calar agora.
Eu tenho a placa do carro dessas pessoas e eu vou atrás dos meus direitos, pq eu não sou obrigada a sair na rua e ser tratada como um pedaço de carne e ser constrangida na frente de todo mundo daquela forma.
Definitivamente, pior semana ever.”