O chefe disse que eu não poderia recusar a “proposta” de sair com ele – 829

829 – “Puxa vida! Eu poderia contar tantos casos que ocorreram comigo, que só de pensar nisso sinto tristeza.
Bem, por ora, contarei um que aconteceu em 2011, quando eu tinha 17 anos. Eu trabalhava num escritório que pertencia a dois sócios, e sempre quis ser financeiramente independente dos meus pais, ou do meu namorado, então me dedicava ao meu trabalho. Com o tempo, um dos donos do escritório, com quem eu mais tinha contato, começou a me dar mais funções, e eu cumpria mesmo que meu horário de trabalho tivesse quase dobrado. Porém, o sócio dele começou a aparecer lá, sempre nos horários de almoço. Eu ficava sozinha lá, porque aproveitava o tempo para estudar, e para “cobrir eventuais contratempos”. Ele ficava me convidando para almoçar, e eu sempre recusava. Eu ouvia os boatos das outras funcionárias que saíram com ele. De todas, eu era a única que me recusava a dirigir a palavra a ele, a não ser que fosse necessário. Nesse dia, ele novamente foi me chamar para almoçar com ele, e eu recusei. Ele perguntou quando eu sairia com ele para tomar uma cerveja, e eu disse que, provavelmente, nunca, pois não saia com pessoas do trabalho, ainda mais, chefes. Ele se irritou, começou a me xingar, e disse que eu não poderia recusar a “proposta” de sair com ele, pois eu só estava trabalhando ali porque ele queria. Nessa hora perdi a compostura. Xinguei-o com todos os “palavrões” que vieram a minha mente. Disse que enfiasse aquele emprego no cu, pois eu não me submeteria àquelas ofensas. Ele ficou assustado, disse para eu me acalmar, e eu me irritei mais ainda. Como, depois de tudo que ele tinha acabado de vomitar, eu poderia me acalmar? Xinguei-o mais, e me demiti. O outro dono ficou aflito, foi conversar comigo, mas eu disse que não continuaria lá. Ele disse que lamentava o episódio, mas que eu entendesse que “ele tinha as mãos atadas, porque eu não tinha provas”. Irritei-me com ele também, e disse que só me demitisse.
Hoje, me arrependo por não ter denunciado aquele desgraçado. Mas eu ainda não sabia nada sobre feminismo, e ignorava os meus direitos. Mesmo que eu fosse “brava”, eu não sabia que poderia ter feito pior com aquele maldito.
Espero que um dia as mulheres sejam mais instruídas sobre o que podem fazer, e não sejam mais obrigadas a passar por esse tipo de situação.”