o empurrei e gritei: “VOCÊ ESTÁ LOUCO? SEU IMBECIL!” – 1945

Não é bem medo o que tenho ao andar na rua é mais preocupação. Ignoro assédios frequentemente, e já ocorreu de eu ter que parar no meio da rua para discutir com algum imbecil (em sua maioria velhos, não sei porque) pois já estava enchendo o saco. Ainda assim entendo que na rua não estamos em casa; estamos propícios a enfrentar complicações diariamente que não são aceitáveis, porém muitas vezes inevitáveis então temos que aprender a nos virar na rua. O que me mostrou realmente o quanto especificamente nós mulheres somos vulneráveis foi um dia quando, no primeiro ano do ensino médio, um homem feito veio do outro lado da rua em minha direção enquanto andava pela calçada com três amigas. Percebi mas não consegui sair, pois tinha um poste no meio da calçada, que era estreita. Minhas duas amigas passaram uma a uma entre o poste e a parede de uma loja; foi o tempo em que este homem me alcançou (foi tão rápido que só consegui colocar as mãos em minha frente). Ele agarrou meu braço a fim de me empurrar para a parede e me beijar, mas o empurrei com força para o lado e gritei, olhando para ele: “VOCÊ ESTÁ LOUCO? SEU IMBECIL!” Segui, e minhas amigas perguntaram o que houve; quando olhei para trás, achando que ele tinha saído, o irracional ainda estava lá no mesmo lugar onde o deixei e, pra variar, estava com aquele cara de “ESTÁ GAROTA É MALUCA,” Me deu raiva, nojo, e desde então tenho pra mim que eu posso saber lidar com assédios da melhor forma possível, porém eu nunca vou deixar de ser vista como uma carne no açougue.