o garoto se aproximou e deu um tapa forte na minha cara – 950

950 – Olá gente, primeiramente eu gostaria de parabenizar essa página por abordar um tema tão complexo e doloroso, acho muito rico essa oportunidade de abrir um espaço para as pessoas que buscam uma ajuda, uma informação e um cantinho para desabafos. Também parabenizo pelo levantamento de dados, fatos e contextos reais, que possibilitam ferramentas importantes para os pesquisadores, eu quanto pesquisadora acho essa página muito relevante para enriquecer pesquisas e projetos que tentam de alguma forma contextualizar e melhorar nossa sociedade. Em segundo, fico feliz de saber que mais pessoas assim como eu, estão tomando consciência da complexidade do assunto, parando de normalizar comportamentos doentios e violentos, tratando isso de uma forma mais reflexiva e ativa, alertando as amigas, tias, mães, filhas, vizinhas, mulheres no geral, sobre a gravidade do abuso sexual, explicando como o mesmo se sucede. No último mês fiz perguntas chaves à algumas garotas, como: “já recebeu uma cantada na rua?” “como foi?” “você gostou?”, e é assustador os resultados, de 10 garotas que perguntei as 10 receberam cantadas desde “ô gostosa” à “pega no meu pau”. Então meninas e meninos que se interessam numa sociedade melhor, vamos de fato levar informação às pessoas, é nossa obrigação como promotores do respeito e humanismo. E por fim, meu relato: Estávamos eu e minha prima indo à locadora de filmes (na época, era bem comum uma locadora em cada esquina), eu tinha 11 anos e ela 12, estávamos andando distraídas na rua, rindo, falando alto, até que um garoto de aproximadamente uns 16 anos se aproximou com sua bicicleta, desceu da mesma e começou a andar do meu lado. Então começamos a acelerar o passo pra ver se ele percebia que estávamos desconfortáveis e ele acelerou junto, começou a dizer que iria espancar nós duas, que teríamos que fazer tudo o que ele quisesse. Eu fiquei desesperada, não sabia o que fazer, comecei a tremer, mas tive a ideia de ir cochichar no ouvido da minha prima para dizer algo como “vamos gritar ou correr”, e assim que aproximei dela, o garoto se aproximou e deu um tapa forte na minha cara, fiquei muito assustada que não tive mais coragem de abrir a boca. Então avistamos um senhor subindo a rua e minha prima disse que era o pai dela, então o garoto subiu na bicicleta e saiu correndo. A gente ficou aliviada, até que vimos que o menino percebeu que era mentira e estava voltando, assim que ele desceu da bicicleta começou a dizer que se mentíssemos mais uma vez ele cortaria a nossa língua. Eu queria chorar, mas fiquei com medo de chorar e ele me bater de novo. Quando estávamos virando a esquina, ele subiu na bicicleta e foi embora. Ao chegar na locadora percebi que tava fechada, meu pai era o dono da locadora e minha noção de proteção naquele momento estava lá, então quando vi a locadora fechada, comecei a chorar desesperada porque achei que o guri voltaria, minha prima tentou me acalmar e a gente voltou super rápido pra casa indo por outro caminho, e enquanto subíamos a gente combinou não falar nada pra ninguém com medo de que o guri nos procurasse e vingasse de nós. Semanas posteriores eu me sentia paranoica e com medo de que o garoto surgisse novamente e me batesse. Na época descobri o nome do garoto, escola e bastante informações. Hoje, doze anos depois a única informação que tenho é de que esta preso por roubo de carros.