O infeliz subiu na bicicleta e veio pra perto, me cercando – 2001

2001 – Trabalho em São Paulo, e na empresa temos um projeto na cidade de Palhoça, SC. Tenho vindo para essa cidade com alguma frequência. No hotel onde normalmente fico eles tem um convênio com uma academia próxima. Mas eu sempre chego cansada e acabo não me animando de ir para a academia. Mas ultimamente tenho ficado por aqui com mais frequência do que gostaria e decidi me esforçar e ir, para não perder o ritmo. Cheguei no hotel na segunda-feira, jantei cedo e me arrumei pra ir pra academia. Perguntei na recepção com fazia pra chegar, a recepcionista me informou que não valia a pena ir de carro, que era só seguir reto na rua atrás do hotel. Aceitei o Conselho, deixei o carro na garagem, feliz por não perder minha vaga.
Acontece que a rua de trás é a rua de trás de um shopping, que fica cheia de caminhões parados, e as 19h já estava bem deserta. Mas como estava sozinha na rua não me importei. Até que depois de algum tempo percebi que tinha um homem atrás de mim, andando enquanto empurrava uma bicicleta. Fiquei preocupada e apertei o passo. Ele começou a chamar e eu comecei a ficar com muito medo, mas quando eu escutei o barulho dele subindo na bicicleta entrei em pânico. Ele reduziu quando chegou ao meu lado e me perguntou se eu sabia onde ficava algum lugar, ainda estava apavorada, disse que eu não sabia e ele foi embora olhando para trás. Ainda estava com medo mas me tranquilizei quando perdi ele de vista.
Mas ao chegar no fim da rua vi que ele estava lá parado. Passei por ele correndo e ele gritou que eu não precisava ter medo.
Virei a esquerda, como a recepcionista tinha indicado e me deparei com uma Praça. O infeliz subiu na bicicleta e veio pra perto, me cercando. Ele estava falando alguma coisa sobre ele só querer conversar, mas eu não escutei, estava aterrorizada. Gritei pra ele parar de me perseguir, que já tinha dito que não sabia onde ficava o tal lugar. Ele sorriu e disse “eu sei que não sabe, da pra ver que não é daqui”. Nessa hora comecei a correr de verdade.
Ele veio atrás, mas apareceram duas mulheres. Elas pareceram assustadas, e ele começou a me xingar, disse que eu era louca, gorda, horrível, que ele nunca ia querer nada comigo!
Achei a academia e entrei tremendo, sem ar. Fui no banheiro me acalmar e depois, bem mais calma fui pra esteira. De la dava pra ver a praça e via que ele ainda estava lá. Comecei a chorar de medo. Um dos instrutores percebeu, perguntou o que aconteceu e foi expulsar o cara. Ele saiu, vi de longe. Mas ainda estava com medo. Pedi pra uma moça que estava saindo pra me acompanhar, depois de ficar quase 3h na academia. Ainda tinha medo dele estar lá.
Nunca passei por uma situação assim. E normalmente confio no melhor das pessoas. Mas quando olhei pra tras, naquela rua escura, todos os meus instintos gritaram CUIDADO!! Acho que eu dei sorte, apesar de tudo. Mas me irrita a audácia de um ser humano de achar que ele pode “só conversar” com quem obviamente não queria conversar! E mais: me dizer que eu não precisava ter medo, em uma situação que é o pesadelo de muitas mulheres.