O médico me examinou e tocou no meu seio – 1065

1065 – Tenho 27 anos. Na época eu tinha 19. Estava sentindo muita dor no ombro e resolvi marcar uma consulta com um ortopedista na rede pública.

No dia da consulta, uma amiga da mesma idade me acompanhou. Entrei no consultório, ela me aguardou do lado de fora, ele fez algumas perguntas comuns e pediu para me examinar.
Até aí nada de mais, estica o braço, levanta, abaixa, apertou meu ombro, desceu a mão um pouco mais perguntando se doía, até que tocou no meio seio. Eu estava de regata. Não, ele não tocou por cima da roupa, como estava pegando no meu ombro ele continuou na minha pele até encostar no bico do meu peito.
Fiquei em choque. Peguei a receita e fui embora.

Só contei pra minha amiga quando estava no ponto esperando o ônibus. Ficamos as duas sem reação, sem saber pra onde correr.
Liguei para o meu namorado, (hoje meu marido) ele tinha 20 anos. Ficou muito nervoso, mas pediu que eu mantivesse a calma que conversaríamos melhor em casa. Ele, assim como eu, não sabia o que fazer, quem procurar, a quem recorrer. Em poucos dias ele ligou para o hospital e falou com a diretoria. Finalmente entrou com um processo contra o médico.
Eu não participei. Não queria vê-lo nunca mais.

Mas não preciso falar sobre a nossa justiça né? O médico entrou também com um processo contra meu marido e pediu 4 mil de indenização, pelo tempo que ficou afastado do hospital. Ele ganhou.
Ganhávamos um salário que, juntos, totalizava em 2 mil reais e tivemos que pagar em prestações a indenização para o cara que me assediou. Não gosto de lembrar. Não gosto que ninguém saiba desse assunto. Por muitas vezes me sinto envergonhada, me sinto burra por não ter feito um escândalo na hora! As lágrimas me vem aos olhos sempre que penso nisso.

O dinheiro não foi nada perto da humilhação que passei no hospital e pelo sentimento de impotência que a ”justiça” (que não tem nada de justa) me deixou!
Eu, que já tinha ouvido inúmeras cantadas na rua, que havia sido perseguida por um homem na época de escola, que corri de um cara que saiu de dentro de um carro pelado, que passei tanta coisa na rua, não esperava passar por isso dentro de um consultório médico. Por isso hoje eu odeio ortopedistas. Não gosto que nenhum médico encoste em mim e ando sempre mentalmente preparada para uma reação caso algo parecido volte a acontecer!