O médico se negou a me receitar anticoncepcional – 822

822 – “Vi o relato da moça que foi ao ginecologista e me lembrei de uma situação muito chata quando tinha 16/17 anos. Fui ao médico fazer prevenção e pq me sentia incomodada com um corrimento. Era a primeira vez que ia àquele ginecologista, e estava um pouco nervosa (há pouco tempo tinha perdido a virgindade, tinha medo da minha mãe descobrir, etc). Ele fez as perguntas pra preencher minha ficha, como qual a minha idade, se eu era sexualmente ativa, meu estado civil e etc. Falei que já transava, com meu namorado, ele me olhou de um modo meio como se eu fosse uma aberração… Enfim, pediu pra eu tirar a roupa e deitar na maca, examinou, tudo normal. Quando ele foi encerrar a consulta, me deu um verdadeiro esporro, em tom totalmente inquisitório disse que eu estava com doença pq “transei antes da hora certa”, que uma coisa é uma mulher casada transar, outra uma adolescente solteira fazer o mesmo. Me senti completamente ridicularizada e humilhada, comecei a chorar e não consegui explicar que sempre usei camisinha e ele nem me deu mais explicações sobre outras possíveis causas pro que eu tinha (que depois outro médico explicou ser “simples”, pode aparecer até quando a imunidade está muito baixa), só receitou um antibiótico. Ainda tive coragem pra pedir a receita de um anticoncepcional e ELE SE NEGOU A PRESCREVER, pois segundo ele, eu não estava pronta pra pensar nisso. Saí do consultório arrasada, me achando a maior das pecadoras e a última das mortais. Um médico minimamente responsável e profissional não deixaria suas convicções religiosas (ele é evangélico) interferir no modo como trata o paciente, ainda mais uma adolescente no início da vida sexual.”