o sujeito jogou o carro pra cima de mim – Cantada 732

732 – “Sou de São Paulo e fui fazer faculdade em uma cidade do interior chamada Araçatuba, uma cidade de 180 mil habitantes. Tinha 17 anos e, como a cidade era muito pequena, achava que o índice de violência, de todas as formas, era quase inexistente. Até o dia em que estava caminhando pela rua com uma amiga, e de repente passa um carro e buzina para nós, e minha amiga achando que fosse alguém conhecido, acenou um oi. Perguntei se ela conhecia, ela disse que não e que achava que fosse alguém da faculdade. Até aí, sem problemas. Minha amiga tinha um compromisso e precisava chegar em casa rápido, se despediu de mim e foi embora em passos rápidos.  Estava na rua da faculdade, há 700m de casa, quando percebi que o mesmo carro que buzinou para nós, estava vindo na minha direção, andando super devagar, me acompanhando. Achei estranho e continuei andando, com passos mais apertados. De repente, o indivíduo abaixou o vidro e começou a me dizer coisas nojentas. Pensei que poderia ser alguém da faculdade zoando com a minha cara, então continuei ignorando. Até que o sujeito jogou o carro pra cima de mim, freiando bruscamente. E eis que ouço a porta do motorista abrindo. Minhas pernas tremiam, suava frio e meu coração batia acelerado. Muito distante, conseguia avistar minha amiga. Só consegui sair correndo e gritando, não queria olhar pra trás. Minha amiga não me ouvia e entrou na pensão em que ela morava. Continuei correndo e chegando nesta pensão, entrei. Olhei para o lado de fora e vi o carro entrando na faculdade para fazer o retorno da rua e foi embora cantando o pneu.  Até hoje me abalo pensando no que poderia ter acontecido. E aprendi que a agressão às mulheres está, realmente, em todos os lugares.”